so little to say… and so much time.

Oscar 2010

Posted in Oscar by partyguest on Março 4, 2010

Bom, vai rolar mais um Oscar neste domingo, o 82º. Muito, não? O Oscar é um evento organizado anualmente pela AMPAS (Academy of Motion Picture Arts and Science), com o intuito de premiar os melhores filmes exibidos em solo americano, no ano anterior à sua entrega. Hum, quer dizer que os melhores filmes sempre ganham? Não, nem sempre. Raramente, na verdade. Hum, mas os melhores diretores são premiados, né? Nop, geralmente são ignorados. Então, pra quê serve este engodo? Muda alguma coisa em minha vida? Não, nada. O Oscar não foi feito pra ser justo, nem pra reconhecer o primor de todos os filmes produzidos no mundo. Um exemplo disto é um ponto específico de suas regras, que já coloca 99% dos filmes produzidos pelo mundo em uma posição de inelegibilidade: os filmes indicados precisam ter ficado em cartaz durante três semanas, pelo menos, em cinemas americanos, no ano anterior ao prêmio. Ou seja, se você espera que aquele filme lindo sobre o criador de cabras do sertão nordestino, feito com orçamento de circo do interior e com atores locais, seja indicado, meu amigo, você precisa ficar mais esperto. O Oscar vai muito além da premiação justa. É claro que boa parte dos filmes indicados é boa, mas a qualidade dos filmes é apenas a base da premiação. O que conta, no fim de tudo, é como um filme (ou sua equipe, dentro e fora das câmeras) se relaciona com a indústria, como seu prestígio é visto dentro de um grupo de quase 6000 votantes. Muita gente me pergunta por que eu me empolgo tanto com o Oscar, com todo o buzz. Eu me empolgo porque sei que, antes de ser arte, expressão cultural de uma comunidade, geração, etnia, país, o cinema é uma indústria de entretenimento. Nasceu assim e vai morrer assim. Os que fazem cinema e acham que estão fora dessa indústria, estão redondamente enganados. Aqueles que estão, de fato, fora dela não estão fazendo cinema. Pode ser qualquer outra coisa, mas não é cinema. É por isso que me empolgo. Não é que eu odeie os filmes menores, mais simples, mais locais. Não odeio, quem me conhece sabe disso. Não é uma questão de ódio. É de amor. Eu sou apaixonado por essa indústria, em todos os seus aspectos. E não tem como ser apaixonado pela indústria e não se divertir, o mínimo que seja, com o Oscar. Me divirto, não nego.

Acompanho a premiação desde 2002, religiosamente. Antes disso, assistia, mas não sacava nada e, quando sacava o que tinha acontecido, não tinha visto o filme ou iria ver, por limitações espaciais (ou financeiras). 2002 foi o ano em que isso mudou. Pela primeira vez, desde que eu me lembro, eu tinha lido sobre os filmes indicados e tinha meu favorito. O daquele ano foi “Assassinato em Gosford Park”, que não ganhou, infelizmente. Desde então, não perco um ano, acompanho o buzz entre um ano e outro, leio blogs e, mais importante, vejo os filmes. A cada ano que passa, consigo ver mais filmes indicados, em inúmeras categorias. E desde aquele ano, faço minhas listas de favoritos e participo de bolões online, ou entre amigos, que me deixam mais empolgado ainda, pois vejo que não estou sozinho nessa maluquice. Acho que esta é a 3ª vez que posto meus palpites em um blog meu. Pretendo manter a tradição.

A corrida para o Oscar deste ano foi uma bagunça só. Até o meio do ano, não existiam favoritos, sequer existiam filmes genuinamente oscarizáveis. Mas depois de setembro e, principalmente, depois da estreia de “Avatar”, em dezembro, a coisa esquentou. Já teve reviravolta em prêmios-termômetros, mudanças de regras, quebra das mesmas…
O que parecia ser um ano fraco, gerou uma das corridas mais divertidas e empolgantes que eu já vi.

Meus palpites não refletem, necessariamente, o que vai acontecer, mas reflete a maneira como encaro todo o buzz em torno dos indicados. Quem eu acho que vai ganhar, quem eu acho que deveria, quem eu acho que pode surpreender. Mantenha estas três frase em mente, que você vai entender meu raciocínio. Algumas categorias precisam ser comentadas, outras nem tanto, por isso não serão, outras precisam, mas não tenho condições de falar qualquer coisa e me atenho em reproduzir o burburinho dos especialistas. Bom, espero que gostem e comentem.

Roteiro Original
“Guerra ao Terror”
“Bastardos Inglórios”
“The Messenger”
“Um Homem Sério”
“Up – Altas Aventuras”

Quem eu acho que vai ganhar: Bastardos Inglórios
Quem eu acho que deveria ganhar: Bastardos Inglórios
Quem eu acho que poderia surpreender: Guerra ao terror

Este prêmio costuma seguir à risca o que os votantes escolhem em categorias como Melhor Filme e Melhor Diretor. No entanto, este é um caso diferente (mas não incomum). Bastardos é um filme que corre o risco de sair da festa com apenas com um mísero prêmio, o de Ator Coadjuvante. E isso conta, acredite se quiser. Não que o roteiro de Bastardos não tenha mérito. Tem até de mais. É, sem dúvida, o melhor roteiro entre os concorrentes. Acredito que o único filme que possa ameaçar essa vitória é Guerra ao Terror, e é uma ameça gigantesca. Ele ganhou o WGA (ok, Bastardos é inelegível) e tem a vantagem de ser o roteiro do provável campeão da noite. Acredito que a disputa estaria em 55-45, com Bastardos com um nariz de diferença.

Roteiro Adaptado
“Distrito 9″
“Educação”
“In the Loop”
“Preciosa”
“Amor Sem Escalas”

Vai: Amor Sem Escalas
Deveria: Educação
Poderia: Preciosa

Esta é uma categoria que não significa nada pra mim, no Oscar deste ano. Vi 4 dos 5 indicados (só não vi In the Loop) e não gostei de nenhum deles. Não vejo nada de mais em nenhum dos roteiros. Talvez o mérito, este ano, esteja na adaptação em si e não no roteiro como peça isolada. Preciosa pode ganhar? Pode. Mas Amor Sem Escalas deve levar esse prêmio de consolo. Educação tem um roteiro irregular, mas é o mais redondinho de todos.

Filme Estrangeiro
“Teta Assustada”, Peru
“A Fita Branca”, Alemanha
“O Profeta”, França
“Ajami”, Israel
“O Segredo de Seus Olhos”, Argentina

Vai: A Fita Branca
Deveria: –
Pode: O Segredo de Seus Olhos; O Profeta

Infelizmente não vi nenhum deles, apesar de ter tido a possibilidade. :/ Mas o buzz pende pro filme de Haneke, pela temática, pela técnica, pelo prestígio do diretor e pela quantidade de coisa que ganhou ano passado. O Profeta vem numa ascendente interessante neste último mês, principalmente depois da rapa que fez no César, o Oscar francês. O Segrede de Seus Olhos é a chance que a academia tem de premiar um filme sul-americano elogiadíssimo. Acredito que é o filme que A Fita Branca precisa ficar de olho.

Direção de Arte
“Avatar”
“O Imaginário do Dr. Parnassus”
“Nine”
“Sherlock Holmes”
“A Jovem Victoria”

Vai: Avatar
Deveria: Avatar
Poderia: A Jovem Victória

Acho muito difícil Avatar não levar este. Seria uma maneira dos velhinhos da academia dizerem: “Nós aceitamos suas loucuras, Jimbo.” O filme a ser batido neste caso é A Jovem Victória, por um simples motivo: filme de época britânico. Essa frase ganhou boa parte dos Oscars, até hoje.

Fotografia
“Avatar”
“Harry Potter e o Enigma do Príncipe”
“Guerra ao Terror”
“Bastardos Inglórios”
“A Fita Branca”

Vai: Guerra ao Terror
Deveria: Guerra ao Terror
Poderia: A Fita Branca

A fotografia é o maior trunfo de Guerra ao Terror, na minha opinião. Ela consegue fazer você se sentir um soldado, em meio a toda aquela confusão. Faz você tentar limpar os olhos, achando que eles se encheram de terra, após uma explosão. Por outro lado, A Fita Branca vem impressionando a crítica com sua fotografia em preto-e-branco e acabou de ganhar o prêmio do Sindicato dos Fotógrafos de Cinema, isso significa muito, nesta altura da corrida.

Figurino
“Brilho de uma Paixão”
“Coco Antes de Chanel”
“O Imaginário do Dr. Parnassus”
“Nine”
“A Jovem Victoria”

Vai: A Jovem Victória
Deveria: –
Poderia: Coco Antes de Chanel

Essa categoria é muito confusa pra mim. Não sou um cara que consegue reconhecer muita diferença entre um figurino e outro. É uma falha minha. A única vez que decidi dar um palpite sobre essa categoria foi em 2006, depois que o figurino de Maria Antonieta me deixou de boca aberta. O filme acabou levando, mas nem por isso me convenci que entendia alguma coisa desse quesito. Aposto em Victória, por motivos já citados lá em Direção de Arte. Mas acho que, por ser um filme que trate justamente de moda, Coco pode surpreender e levar este pra casa.

Edição
“Avatar”
“Distrito 9″
“Guerra ao Terror”
“Bastardos Inglórios”
“Preciosa”

Vai: Bastardos Inglórios
Deveria: Bastardos Inglórios
Poderia: Guerra ao Terror

Esta categoria tá beeem nublada, pra mim. Bastardos tem a melhor edição do ano, bem precisa, sem muitos rodeios e bem diferente do que Tarantino fez durante toda a sua carreira. Guerra ao Terror não me impressionou neste quesito, mas tem o fator “lavada” contando em seu favor.

Maquiagem
“Il Divo”
“Star Trek”
“A Jovem Victoria”

Vai: Star Trek
Deveria: Star Trek
Poderia: A Jovem Victoria

Quem fala não sou eu, é o buzz.

Trilha Sonora
“Avatar”
“O Fantástico Sr. Raposo”
“Guerra ao Terror”
“Sherlock Holmes”
“Up – Altas Aventuras”

Vai: Up
Deveria: Up
Poderia: Avatar, Sr. Raposo ou Sherlock Holmes

Essa é uma categoria delicada. Up tem a vantagem de ter sua trilha composta por um cara em ascensão dentro da indústria. Michael Giacchino vem de uma carreira notável no mundo dos jogos e ficou muito conhecido por ser o trilheiro da série Lost. Em Up, a trilha é personagem, dita todo o ritmo do filme. Acredito que o fato de Giacchino ter sido o diretor musical do Oscar do Ano passado, também conta. Avatar pode abocanhar este quesito, pois tem a trilha mais grandiosa do ano. Sr. Raposo é um alternativa, mas não acredito que ele venceria este embate de animações. Sherlock Holmes é de Hans Zimmer, isso, por si só, significa muita coisa. Além do que, dentre todas as críticas que li do filme, a única unanimidade era sua trilha corretíssima.

Edição de Som
“Avatar”
“Guerra ao Terror”
“Bastardos Inglórios”
“Star Terk”
“Up”

Vai: Guerra ao Terror
Deveria: Guerra ao Terror ou Avatar
Poderia: Avatar

Há alguns meses, quem teria a coragem de dar este palpite? Guerra ao Terror foi como uma cebola na corrida pelos Oscars. A cada semana, um novo trunfo do filme era elevado (ou inventado). O som do filme de Bigelow é realmente impressionante. E olhe que eu estou falando isso, mesmo sabendo que Avatar concorre com ele. Mesmo com a grandiosidade da saga Na’Vi, em todos os sentidos, Guerra tem, além do merecimento, dois trunfos importantes: os prêmios do Bafta e do Sindicato dos Editores de Som.

Mixagem de Som
“Avatar”
“Guerra ao Terror”
“Bastardos Inglórios”
“Star Trek”
“Transformers 2”

Vai: Guerra ao Terror
Deveria: Guerra ao Terror ou Avatar
Poderia: Star Trek ou Avatar

O termômetro aponta pra Avatar, mas eu prefiro ousar e dizer que Guerra leva e vai deixar Jimbo arrancando os cabelos.

Efeitos Visuais
“Avatar”
“Distrito 9”
“Star Trek”

Vai: Avatar
Deveria: Avatar
Poderia: Distrito 9

Nenhum outro filme desta última década mereceu tanto este prêmio como Avatar. Distrito 9 poderia surpreender e não sair de mãos vazias. Duvido muito.

Animação em Curta-metragem
“French Roast”
“Granny O’Grimn’s Sleeping Beauty”
“The Lady and The Reaper”
“Logorama”
“A Matter of Loaf and Death”

Vai: A Matter of Loaf and Death
Deveria: The Lady and The Reaper
Poderia: French Roast

Gostaria de ver muito o fantástico The Lady and The Reaper levar esta, mas, pelo visto, a academia tende a ficar na mesmice.

Canção Original
“A Princesa e o Sapo”, com “Almost There”
“A Princesa e o Sapo”, com “Down in New Orleans”
“Paris 36″, com “Loin de Paname”
“Nine”, com “Take It All”
“Crazy Heart”, com “The Weary Kind”

Vai: The Weary Kind
Deveria: The Weary Kind
Poderia: Loin de Paname

Este, definitivamente, não é o ano dos musicais (mais um), por isso não vejo Nine como um competidor muito forte. Já a animação da Disney tem a desvantagem da dupla indicação, o que divide os votos consideravelmente. O que sobra é o minúsculo francês, que, pra ser sincero, tem quase tantas chances quanto os outros.

Documentário em Longa-metragem
“Burma VJ”
“The Cove”
“Food, Inc”
“The Most Dangerous Man in America”
“Which Way Home”

Vai: The Cove
Deveria: The Cove
Poderia: Food, Inc. ou Burma VJ

Esta é outra categoria sem muitas surpresas. The Cove é um dos melhores documentários que eu vi nos últimos anos. E a quantidade de prêmios que vem ganhando mostra que esta não é uma opinião só minha.

Documentário em Curta-metragem
“China’s Unnatural Disaster: The Tears of Sichuan Province”
“The Last Campaign of Governor Booth Dardner”
“Music by Prudence”
“Rabbit à la Berlin”

Vai: China’s Unnatural Disaster
Deveria: –
Poderia: Music inPrudence

Mais uma vez o buzz, não tenho nada a ver.

Curta-metragem
“The Door”
“Instead of Abracadabra”
“Kavi”
“Miracle Fish”
“The New Tenants”

Vai: The Door
Deveria: –
Poderia: Instead of Abracadabra

Ator
Jeff Bridges, “Crazy Heart”
George Clooney, “Amor Sem Escalas”
Colin Firth, “A Single Man”
Morgan Freeman, “Invictus”
Jeremy Renner, “Guerra ao Terror”

Vai: Jeff Bridges
Deveria: Jeff Bridges
Poderia: Colin Firth ou Jeremy Renner

Bridges tem alguns trunfos neste caso. É um ator com muito prestígio entre seus pares, mas que nunca ganhou. Faz um papel feito pra Oscar, sem tirar nem pôr. E representa um filme pequeno, com poucas indicações, seria uma boa maneira de reconhecer seu valor. Colin Firth é o ator a ser temido, aqui. Sua atuação está causando comoção por todos os cinemas que passa. Já Renner é a indicação no quesito que legitima outras indicações de Guerra ao Terror, já que é comum que os favoritos do ano tenham indicações em atuação também. Não acho que tenha muitas chances, mas pode surpreender, nunca se sabe.

Atriz
Sandra Bullock, “The Blind Side”
Helen Mirren, “The Last Station”
Carey Mulligan, “Educação”
Gabourey Sidibe, “Preciosa”
Meryl Streep, “Julie & Julia”

Vai: Sandra Bullock
Deveria: Carrey Mulligan
Poderia: Meryl Streep

Esta é uma categoria difícil de engolir. Sandra Bullock ganhou notoriedade justamente por um dos piores filmes do ano. E, cá pra nós? A atuação dela nem é isso tudo que dizem. É até bastante inconstante, na minha opinião. Meryl Streep, mais uma vez, chega em segundo lugar na corrida das indicações. Há 18 anos ela ganhou seu segundo Oscar e foi indicada muitas vezes depois. Muitos acham que a recordista em indicações deveria voltar a ganhar. Eu também acho, sempre vou achar isso de Meryl, mas não concordo com de que o prêmio de Mulligan é ter sido indicada. A atuação dela é incrivelmente superior à de Bullock e é o ponto alto de seu fraco filme. No fim das contas, Bullock vai ganhar, em sua única chance de fazer isso acontecer, e daqui a dois anos vamos todos rir desta piada.

Ator Coadjuvante
Matt Damon, “Invictus”
Woody Harrelson, “The Messenger”
Christopher Plummer, “The Last Station”
Stanley Tucci, “Um Olhar do Paraíso”
Christoph Waltz, “Bastardos Inglórios”

Vai: Christoph Waltz
Deveria: Christoph Waltz
Poderia: Christopher Plummer ou Woody Harrelson

Há alguns meses eu tinha certeza, hoje nem tanto. Waltz tem a melhor atuação de 2009, mas um fator consegue engolir uma fantástica atuação facilmente: o conjunto da obra. Plummer é um daqueles velhinhos que merecem, sabe? Não ia achar ruim se ele ganhasse, nem um pouco. Mas não curto quando vejo pessoas falando que esse prêmio se justificaria pelo fato de que Waltz “vai ganhar em outro ano, eventualmente”. Esta é A atuação dele, independente do que ele fez antes ou que vai fazer depois. Harrelson seria um voto de confiança nesta nova fase de sua carreira, mas corre bem por fora.

Atriz Coadjuvante
Penelope Cruz, “Nine”
Vera Farmiga, “Amor Sem Escalas”
Maggie Gyllenhaal, “Crazy Heart”
Anna Kendrick, “Amor Sem Escalas”
Mo’Nique, “Preciosa”

Vai: Mo’Nique
Deveria: Mo’Nique
Poderia: Vera Farmiga

Este é o ano dos coadjuvantes de cair o queixo. Mo’Nique está assustadora em Preciosa, não erra uma expressão sequer. Aliás, todo o elenco de Preciosa foi muito bem dirigido, mérito em parte de Lee Daniels. Vera Farmiga e Maggie brigam entre si pelo segundo lugar, e provavelmente não passarão disso.

Animação
“O Fantástico Sr. Raposo”
“Coraline e o Mundo Secreto”
“Up – Altas Aventuras”
“A Princesa e o Sapo”
“The Secret of Kells”

Vai: Up
Deveria: Coraline
Poderia: Sr. Raposo

Em um ano em que, dentre 5 animações indicadas, apenas uma foi selecionada entre os melhores filmes, podemos esperar algum resultado surpreendente? Up é bem inferior ao seu precursor, Wall-E, mas é um filme correto e bem bonito. Não encanta como Coraline, mas tem seus méritos. Sr. Raposo é a alternativa séria para a categoria. Animação diferente, baseada em um autor conceituadíssimo (Roald Dahl) e dirigida por um queridinho da nova geração. Pode levar, de verdade, mas não faria sentido algum, dada a lógica das indicações.

Diretor
James Cameron, “Avatar”
Kathryn Bigelow, “Guerra ao Terror”
Quentin Tarantino, “Bastardos Inglórios”
Lee Daniels, “Preciosa”
Jason Reitman, “Amor Sem Escalas”

Vai: Kathryn Bigelow
Deveria: Quentin Tarantino
Poderia: James Cameron

Essa categoria já foi mais empolgante. Mas com a vitória de Kathryn no Sindicato dos Diretores e com o fator de gênero dominando, não vejo como ela não ganhar. Ela é competente? Muito. Mas seu filme e sua direção não chegam aos pés da megalomania de Jimbo ou do frescor histórico de Tarantino, o melhor diretor do ano, sem sombra de dúvidas.

Filme
“Avatar”
“The Blind Sinde”
“Distrito 9″
“Educação”
“Guerra ao Teror”
“Bastados Ingflórios”
“Preciosa”
“Um Homem Sério”
“Up – Altas Aventuras”
“Amor Sem Escalas”

Vai: Guerra ao Terror
Deveria: Bastardos Inglórios
Poderia: Bastardos Inglórios ou Avatar

Chegamos à categoria que realmente mobiliza o buzz dentro da indústria. A academia resolveu ousar e tentar transformar o Oscar em algo mais palatável, popular. Aumentar o número de indicados para 10, serve em muitos sentidos para a premiação. Primeiro: dá chances a filmes que, em ocasiões passadas, nem passariam perto de uma indicação deste tipo. É o caso de Distrito 9 ou The Blind Side. Segundo: coloca filmes mais populares em um balaio antes reservado para filmes difíceis. Se não fosse isso, Up estaria jogado no bem menos glamuroso gueto da animação, como ficou o genial Wall-E, no ano passado. O que devemos devemos saber além disso? Bom, o processo de votação está bastante diferenciado. Ao invés de dar seu voto para o melhor filme do ano, o acadêmico terá que enumerar de 1 a 10, seus filmes preferidos (ou não). Isso dá uma carga um pouco mais política ao voto para Melhor Filme, pois a quantidade de segundas, terceiras, quartas colocações (e assim por diante) que um filme recebe diretamente no resultado final da apuração. (ENTENDA O SISTEMA: http://www.awardsdaily.com/?p=19899)  O que temos de concreto é: Guerra ao Terror é o favorito, mas tem Bastardos Inglórios e Avatar em sua cola, contando justamente com este novo sistema. Muitos apostam em uma vitória de Bastardos, eu não chego a tanto, apesar de acha-lo superior ao filme de Bigelow. O que está em jogo, neste ano, é muito mais do que o processo de realização. Se fosse o contrário assim, Avatar seria o favorito por unanimidade. A questão é: como um filme pequeno pode ter o poder que um de 500 milhões de dólares tem. Guerra ao Terror pode não ser o melhor filme do ano, mas é, sem dúvida, o que a academia estava esperando para o Oscar 2010. Eles ainda não estão preparados para o que Tarantino que tem a dizer ou para o que Jim Cameron criou e soltou pelo mundo. Bigelow e seu filme  falam pra eles, diretamente. Vai ganhar, pode não ser justo, mas é o mais lógico.


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Palpites

Posted in Oscar by partyguest on Fevereiro 20, 2009

Oscar 2009

Aqui estão meus palpites para o Oscar 2009. Note que os filmes marcados em vermelho são os que eu considero favoritos na disputa pelo prêmio, mas não significam necessariamente as minhas preferências do ano. Se assim fosse, os filmes marcados seriam um tanto diferentes. Cheguei a essa lista assistindo a uma boa parcela dos filmes indicados e lendo críticas e awardmeters da maioria deles. As categorias menores são sempre as mais difíceis de opinar, pelo raro acesso que temos a alguns filmes, por isso os palpites nessa área são sempre muito inseguros. Dia 22 de Fevereiro saberemos se tive sorte.

Melhor Filme

  • Quem Quer Ser Um Milionário?
  • Frost/Nixon
  • O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Milk – A Voz da Liberdade
  • O Leitor

Melhor diretor

  • David Fincher – O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Ron Howard – Frost/Nixon
  • Gus Van Sant – Milk – A Voz da Liberdade
  • Stephen Daldry – O Leitor
  • Danny Boyle – Quem Quer Ser Um Milionário?

Melhor ator

  • Mickey Rourke – O Lutador
  • Sean Penn – Milk – A Voz da Liberdade
  • Frank Langella – Frost/Nixon
  • Brad Pitt – O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Richard Jenkins – The visitor

Melhor atriz

  • Meryl Streep – Dúvida
  • Kate Winslet – O Leitor
  • Anne Hathaway – O Casamento de Rachel
  • Angelina Jolie – A Troca
  • Melissa Leo – Rio Congelado

Melhor ator coadjuvante

  • Heath Ledger – Batman – O Cavaleiro das Trevas
  • Josh Brolin – Milk – A Voz da Liberdade
  • Robert Downey Jr. – Trovão Tropical
  • Philip Seymour Hoffman – Dúvida
  • Michael Shannon – Foi Apenas um Sonho

Melhor atriz coadjuvante

  • Amy Adams – Dúvida
  • Penélope Cruz – Vicky Cristina Barcelona
  • Viola Davis – Dúvida
  • Taraji P. Henson – O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Marisa Tomei – O Lutador

Melhor Animação Longa-Metragem

  • Bolt – Supercão
  • Kung Fu Panda
  • Wall-E

Melhor Roteiro Adaptado

  • O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Dúvida
  • Frost/Nixon
  • O Leitor
  • Quem Quer Ser Um Milionário?

Melhor Roteiro Original

  • Rio Congelado
  • Simplesmente Feliz
  • Na Mira do Chefe
  • Milk – A Voz da Liberdade
  • Wall-E

Melhor Direção de Arte

  • A Troca
  • O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Batman – O Cavaleiro das Trevas
  • A Duquesa
  • Foi Apenas um Sonho

Melhor Fotografia

  • A Troca
  • O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Batman – O Cavaleiro das Trevas
  • O Leitor
  • Quem Quer Ser Um Milionário?

Melhor Figurino

  • Austrália
  • O Curioso Caso de Benjamin Button
  • A Duquesa
  • Milk – A Voz da Liberdade
  • Foi Apenas um Sonho

Melhor Filme Estrangeiro

  • The Baader Meinhoff Complex (Alemanha)
  • Entre os Muros da Escola (Entre les Murs – França)
  • Okuribito (Japão)
  • Revanche (Áustria)
  • Waltz with Bashir (Israel)

Melhor Documentário

  • The Betrayal (Nerakhoon)
  • Encounters at the End of the World
  • The Garden
  • Man on Wire
  • Trouble the Water

Melhor Documentário Curta-Metragem

  • The Conscience of Nhem En
  • The Final Inch
  • Smile Pinki
  • The Witness
  • From the Balcony of Room 306

Melhor Montagem

  • O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Batman – O Cavaleiro das Trevas
  • Frost/Nixon
  • Milk – A Voz da Liberdade
  • Quem Quer Ser Um Milionário?

Melhor Maquiagem

  • O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Batman – O Cavaleiro das Trevas
  • Hellboy II – O Exército Dourado

Trilha Sonora Original

  • O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Defiance
  • Milk – A Voz da Liberdade
  • Quem Quer Ser Um Milionário?
  • Wall-E

Melhor Canção Original

  • “Down to Earth” – Wall-E
  • “Jai Ho” – Quem Quer Ser Um Milionário?
  • “O Saya” – Quem Quer Ser Um Milionário?

Melhor Curta Animado

  • La Maison en Petits Cubes
  • Lavatory – Lovestory
  • Oktapodi
  • Presto
  • This Way up

Melhor Curta Live-Action

  • Auf Der Strecke (On the Line)
  • Manon on the Asphalt
  • New Boy
  • The Pig
  • Spielzeugland (Toyland)

Melhor Edição de Som

  • Batman – O Cavaleiro das Trevas
  • Homem de Ferro
  • Quem Quer Ser Um Milionário?
  • Wall-E
  • O Procurado

Melhor Mixagem de Som

  • O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Batman – O Cavaleiro das Trevas
  • Quem Quer Ser Um Milionário?
  • Wall-E
  • O Procurado

Efeitos Especiais

  • O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Batman – O Cavaleiro das Trevas
  • Homem de Ferro

The Curious Case of Benjamin Button

Posted in Oscar by partyguest on Fevereiro 20, 2009

The Curious Case of Benjamin Button

Quando David Fincher fez “Clube da Luta” (1999) ele não só fez um dos melhores filmes dos anos 90, mas também solidificou seu nome na tela grande. Sabíamos que depois do sucesso de “Seven” (1995) e de Clube da Luta Fincher seria responsável por assumir grandes projetos ou projetos importantes pro cinema de hollywood. Foi o que aconteceu quando ele dirigiu os excelentes “Quarto do Pânico” (2002) e “Zodíaco” (2007). O diretor conseguiu transitar por tipos variados de linguagem cinematográfica, sem perder seu tom autoral, mesmo que muitos vejam todos esses filmes e não consigam ligar a cinematografia de Fincher, posto que são filmes bem diferentes. Mas não há como negar que se esses filmes não são conectados pela temática são conectados pelo talento desse diretor de 46 anos.
The Curious Case of Benjamin Button foi o mais recente desafio de David Fincher. O que ele tinha em mãos não era mais uma história pequena e pessoal como nos outros filmes (com exceção de Zodíaco). Agora estamos falando de um filme muito maior que os anteriores, no sentido de que se o diretor não tiver pulso firme o filme acaba por engoli-lo. Esse não foi o caso. Todos esses anos, Ficnher nos proporcionou filmes profundos, mas bem intimistas. Benjamin Button é algo como um produto desses anos de amadurecimento. E com isso eu não quero dizer que ele é melhor que os filmes anteriores. Ainda considero Clube da Luta um filme indispensável para quem quer saber o mínimo de cinema, e é, sem dúvida, um dos 3 melhores filmes dos anos 90. Mas Benjamin Button é diferente. Enquanto seu personagem principal rejuvenesce, fica claro que Fincher envelhece e começa a colher os frutos dessa experiência.

The Curious Case of Benjamin Button, adaptação de um conto de F. Scott Fitzgerald, narra a história de Benjamin Button, um bebê que nasce com uma condição peculiar: ele nasce velho, aparentando ter mais de 80 anos de idade. Desacreditado pelos médicos e familiares, Benjamin passa por uma infância sofrida, vivendo como um idoso, em uma cadeira de rodas. São nessas circunstâncias que Benjamin conhece Daisy, uma menina de cabelos ruivos que vai visitar a avó no asilo em que Benjamin mora. E, apesar da diferença física entre os dois, eles criaram um laço de afeto. Benjamin carregava o sofrimento físico da velhice, mas ele não passava de uma criança.
O filme acompanha o rejuvenescimento do personagem principal, na medida em que Benjamin deixa de ser um Brad Pitt raquítico e envelhecido para ser um Brad Pitt em plena forma, que esbanja juventude, mas traz consigo o peso de uma velhice precoce. É nesse processo de metamorfose que vemos quão habilidoso Fincher é. Vemos o filme acompanhar a transformação de Benjamin na medida em que ele próprio vai rejuvenescendo. The Curious Case of Benjamin Button começa como um filme envelhecido, uma homenagem certeira a um tipo de cinema mais clássico em contraponto com uma linguagem mais moderna adotada a partir da medate do filme. Assim como o personagem, o filme também fica mais jovem, conseguindo não perder o ritmo de seu próprio enredo. Temos, já nos anos 50 e 60, um Benjamin que dialoga muito bem com sua época. E temos um Fincher que consegue se locomover durante todo o filme, sem perder a noção de que o filme não pode envelhecer enquanto seu personagem principal rejuvenesce. Não podemos deixar de reconhecer o papel do roteiro escrito por Eric Roth, para que toda essa coerência se operacionalize. The Curious Case of Benjamin Button é um filme coerente, pois tem um diretor que sabe lidar com a psicologia de seu personagem de uma forma quase rara no cinema atual e um roteirista que sabe lidar com as mudanças de tempo e mentalidade como ninguém, um exemplo disso é o seu roteiro para “Forrest Gump” (1994), filme que trata a passagem do tempo com uma seriedade digna de um clássico como “Cidadão Kane” (1941).
Em cena, atores muito talentosos interpretando papéis que podem marcá-los para o resto de suas vidas (assim com aconteceu com Tom Hanks). E isso não é algo negativo, pois vemos uma agradável maturidade na atuação de Brad Pitt, interpretando o personagem título, e a sutileza característica de Cate Blanchett interpretando Dayse, o amor de infância de Benjamin.
Embalado pela belíssima trilha de Alexandre Desplat (responsável pela bonita trilha de “A Rainha”), Benjamin Button nos dá uma aula de maturidade, de trás para frente.
O filme consegue ter um elenco principal muito bem afiado, mas peca um pouco em seu elenco de apoio. Os coadjuvantes mais secundários parecem, às vezes, um tanto deslocados em cena (que é o caso da personagem de Julia Ormond), mas não fazem feio.
The Curious Case of Benjamin Button é um daqueles filmes que viram referência, que é sempre citado para ganhar discussões ou fazer valer um argumento. Não é o filme do ano, talvez ele precisasse comover um pouco mais, mas mesmo assim figura entre os 5 melhores de uma temporada fortíssima. David Fincher prova mais uma vez que é muito talentoso e igualmente coerente, assim como seu filme.

O filme teve o maior número de indicações ao Oscar desse ano, com 13 menções (Direção de Arte, Fotografia, Figurino, Diretor, Edição, Maquiagem, Trilha Sonora Original, Som, Efeitos Visuais, Ator, Atriz Coadjuvante e Roteiro Adaptado). Se Benjamin Button não vencer as principais categorias que disputa, corre o risco de ir para casa de mãos vazias, pois acaba perdendo prêmios designados para filmes desse tipo, que vêm com o carimbo do Oscar na testa. Mas mesmo assim, considero esse filme o favorito nos quesitos Direção de Arte, Maquiagem e Trilha Sonora Original. E espero que o esmero de Fincher não passe longe desse reconhecimento.

Nota: 8,5

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Milk

Posted in Oscar by partyguest on Fevereiro 19, 2009

Milk

Há mais de um mês que estou digerindo esse filme, assim como essa resenha. Mas agora vai.
O motivo da dificuldade é que Milk não é um filme fácil. Ele aparenta ser mais uma cinebiografia, mas só o fato do projeto ter sido realizado pelas mãos talentosas de Gus Vant Sant já demonstra que esse não é um filme comum.
Van Sant já nos mostrou do que é capaz em filmes muito bons como “Os Últimos Dias” (2005), “Elephant” (2003) e outras obras ainda mais cultuadas dos anos 80 e 90 como “Mala Noche” (1985), “Drugstore Cowboy” (1989) e “Garotos de Programa” (1991). O diretor é conhecido por transitar pelo cinema queer na maioria dos seus filmes. Milk é um dos pontos de parada nesse seu percurso pelo queer americano. E é talvez o mais importante.

Milk narra a trajetória do primeiro americano assumidamente gay a ter uma carreira política nos EUA. Harvey Milk era um nova-iorquino, descendente de judeus que até se mudar para a cidade de São Francisco escondia sua homossexualidade. O filme nos mostra, como ponto de partida, um Harvey Milk que, aos 40 anos, não tinha ,em suas próprias palavras, nada na vida para se orgulhar. Por isso, acompanhado de seu companheiro Scott Smith, Harvey se muda para São Francisco e abre uma loja de material para fotografia. E lá descobre que sua vida estaria começando, tardiamente.
Gus Van Sant nos apresenta um Harvey Milk engajado na luta pelos direitos dos homossexuais na América dos anos 70. É esse personagem que altera o rumo desse movimento em um período em que a prioridade política americana não passava nem perto de questões desse tipo. Milk é considerado até hoje como o pioneiro dessa luta.
O filme trata todos os personagens com uma sutileza tão grande que até as cenas de violência quase que flutuam. Milk é um filme que não foi feito apenas para alimentar todo um conjunto de cinema queer, mas ele é combativo, é ativo e militante, algo que é estranho ao cinema de Van Sant. Nos filmes anteriores desse diretor o queer não era, em boa parte dos casos, o sujeito ativo de sua história, mas um outsider que tinha como última preocupação qualquer questão desse tipo. Nesse filme vemos um militante. E talvez essa seja uma das grandes críticas ao filme, vinda dos que conhecem a obra diretor. A pergunta é: a militância é importante ou continuar como outsider é fundamental? É nesse nível mais complexo que se localiza o coração dramático de Milk.
Além de um roteiro muito bem escrito por Dustin Lance Black, Milk carrega um traço autoral muito forte de Gus Van Sant, presente em inúmeras cenas no decorrer do filme (quem conhece algum filme do diretor, com exceção talvez de Gênio Indomável, vai notar esse traço). É definitivamente um dos melhores filmes dessa temporada e tem como um dos trunfos principais as atuações inspiradas de Sean Penn, Emile Hirsch, Josh Brolin, Diego Luna e James Franco. Todo o elenco consegue oscilar entre a leveza trabalhada pelo roteiro e pela direção e a dureza e aspereza do tema tratado. Milk impressiona em tantos sentidos que fica até difícil falar de todos eles. É um filme bonito sobre a trajetória de vida curta de um político. É um filme sobre amadurecimento. Depois de tantos anos, Harvey Milk amadurece e se dá conta do que realmente importa. E me parece que Gus Van Sant aprendeu muito com ele e nos ensina nessa obra.

Milk conseguiu 8 indicações ao Oscar desse ano (Figurino, Direção, Edição, Trilha Sonora Original, Filme, Ator, Ator Coadjuvante e Roteiro Original). Josh Brolin, apesar de estar muito bem no filme, não tem chances frente ao furacão Ledger, na verdade nenhum deles tem. A concorrência nas demais categorias está muito grande e é muito provável que Milk saia da cerimônia de mãos vazias, ou quase. Eu aposto em pelo menos um prêmio, o de Melhor Ator para Sean Penn. A briga nessa categoria está entre ele e Mickey Rourke, mas Penn vem ganhando os prêmios mais importantes dos últimos meses e a preferência da crítica. Existe a possibilidade de Penn sair de lá com seu segundo e merecido Oscar. Um dos prêmios que eu gostaria de ver Milk ganhando seria o de Melhor Trilha Sonora Original, magistralmente composta por Danny Elfman, conhecido por seus inúmeros trabalhos com o diretor Tim Burton. Mas essa categoria tem candidatos tão fortes que eu duvido muito que Elfman saia vencedor.

Nota: 9,0

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WALL-E/Bolt

Posted in Oscar by partyguest on Fevereiro 18, 2009

WALL-E

Talvez estejamos presenciando uma revolução técnica e estilística no cinema, não sei se vocês estão percebendo. Se não estão, assistam WALL-E e vejam com seus próprios olhos.

O filme, escrito e dirigido por Andrew Stanton (responsável por “Procurando Nemo”, “Toy Story”, “Monstros S.A”. e “Vida de Inseto”), é um dos mais recentes trabalhos da talentosa Pixar, umas das maiores produtoras de animação de Hollywood.
Temos na tela um robozinho solitário chamado WALL-E, cuja rotina se resume a recolher e compactar lixo numa Terra futurística e pós-apocalíptica. O robozinho preenche seus dias fazendo seu trabalho e recolhendo souvenires deixados pelos humanos nessa terra abandonada. Até que um dia eis que surge EVE, um robô muito mais moderno que vem à terra com uma missão específica, uma diretriz, que será revelada aos poucos no decorrer do filme. Então temos o que pra mim é uma das mais bonitas histórias de amor já vistas no cinema.
WALL-E é quase um filme mudo, mescla algumas poucas palavras humanas com os sons digitais dos robôs em questão (sons feitos pela mesma equipe de sonorização da saga “Star Wars”). É impossível percorrer as críticas já escritas sobre esse filme e não achar uma menção ao cinema de Charles Chaplin. E essa menção não é à toa. WALL-E é Chaplin, do começo ao fim. Não precisa de palavras pra construir diálogos que podemos ler no olhar do pequeno robô enferrujado. E tem a mesma delicadeza presente na obra do mestre do cinema mudo. O filmes desliza, quase como uma dança muito bem coreografada.
A Pixar e a Walt Disney são as responsáveis pela mais bela homenagem já feita ao cinema de Chaplin. E são ainda responsáveis por uma belíssima história de amor, a mais bonita em muitos anos, pelo melhor longa de animação dos últimos anos, pois o filme é tecnicamente perfeito e estilisticamente inovador, e pela espetacular cena do balé espacial de WALL-E e EVE, que já está entre as melhores cenas do cinema contemporâneo.

O filme recebeu 6 indicações ao Oscar 2009, fato inédito para um longa de animação, o que deixa mais claro o papel de WALL-E no cinema atual. Dentre todas as categorias às quais o filme concorre (Trilha Sonora Original, Canção Original, Edição de Som, Mixagem de Som, Animação e Roteiro Original) a mais segura de todas é a de Melhor Animação, prêmio garantido para o filme. WALL-E ainda disputa com fortes chances os prêmios de Roteiro Original e Canção Original. Já os outros prêmios têm nomes mais fortes na disputa, o que dificulta a vitória do filme da Pixar nessas categorias. Mas não fiquem surpresos se WALL-E levar todos os prêmios que disputa, pois estamos falando de uma obra prima do cinema.

Nota: 10

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Bolt

Ao contrário de WALL-E, Bolt não consegue ser tão inovador no estilo. É apenas mais um história de amizade entre uma criança e um cachorro. Mas nem por isso é um filme ruim. Vemos em tela o mesmo apuro técnico dado pela Pixar/Disney aos projetos mais recentes, mas esse é um filme menos ambicioso que os seus colegas de estúdio.

Bolt conta a história do cachorro que dá título ao filme e que vive no mundo da fantasia do cinema. Ele é um daqueles animais atores. Mas Bolt não é um simples ator, na verdade para ele nada daquilo é atuação, ele acredita que está salvando sua “dona” das garras de um vilão maléfico. Assim, quando Bolt se perde da produção ele tem que aprender a viver no mundo real, sem seus “poderes” e tentar salvar sua companheira de cena com a ajuda de uma gata de rua e de um hamster obeso.

A Disney fez mais um filme bonito, mas que não passa disso. É um filme legal de se ver, mas que não vai necessariamente causar o impacto de muitas das animações que vêm sendo feitas ultimamente.

O filme foi indicado ao prêmio de Melhor Animação no Oscar desse ano, mas não tem chances perto de WALL-E.

Nota: 7,5

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The Wrestler

Posted in Oscar by partyguest on Fevereiro 17, 2009

The Wrestler

Talvez eu precise virar um lutador e tomar umas pancadas na cabeça pra ver se eu consigo gostar de The Wrestler, como muita gente gostou.

The Wrestler acompanha um curto período da vida do lutador de luta livre Randy “The Ram” Robinson. Ram, como gosta de ser chamado, é um personagem muito forte, em todos os sentidos possíveis. Ele está presente em absolutamente todas as cenas. E todas elas são igualmente fortes. Mas mesmo isso não consegue nos entregar um filme completo.
Logo no início, temos a impressão que se trata de um filme de herói. A abertura com letras que mais lembram filmes inspirados em quadrinhos da Marvel, acompanhadas por imagens de recortes de Jornal que engrandecem The Ram, o grande lutador dos anos 80, é ideal pra nos inserir no mundo de faz de conta de Darren Aronofsky, um mundo onde os heróis existem, mas eles são tão ultrapassados quanto a técnica utilizada para compor a abertura do filme. Portanto, Aronofsky nos prepara para saga de um herói de verdade, que é exatamente o que The Ram é.
Seguimos a rotina desse lutador, que vive de apresentações de luta livre, bebedeiras e visitas regulares a uma boate de strip-tease. Após um problema no coração as coisas mudam para Ram. Ele tem que aprender a lidar com um emprego que não lhe agrada, com uma filha que ele não vê há muitos anos e com o afeto que ele nutre por Cassidy, uma das dançarinas da boate.
The Wrestler tem todos os elementos para a construção de um ótimo filme: personagens fortes, abordagens dramáticas e realistas dos problemas deles e um verdadeiro astro encabeçando o projeto. Mas Aronofsky não consegue fazê-lo decolar. O filme engatinha o tempo todo, não levanta e diz a que veio. Não tem opinião própria (característica comum em filmes de enredos obscuros, o que não é o caso) e joga o tempo todo em cima da atuação de Mickey Rourke como The Ram e de Marisa Tomei (na melhor atuação feminina do ano) como Cassidy. E o filme fica nisso. O jogo de interpretação é mais uma vez atendido. E talvez seja isso que salve o filme. Rourke e Tomei seguram tão bem o filme que ele se torna um filme bom. Incompleto, mas bem correto.
Apesar da incompletude da obra, Aronofsky consegue incorporar elementos essenciais à narrativa. Isso faz o filme  crescer nos olhos de quem assiste. Não conheço a carreira de Aronofsky. O único filme dele que eu assisti, além de The Wrestler, foi “Réquiem Para Um Sonho” (2000), que não me agradou muito, se bem me lembro. Mas é um filme que está tão obscuro e apagado em minha memória que não serve de parâmetro de comparação aqui. Seria injusto.
No geral, o filme cumpre talvez o papel mais importante que se propõe. Ele mostra a saga de um herói, não de alguém que vive a salvar os outros, mas que salva a si mesmo constantemente. Seja abrindo um sorriso para um cliente em um mercadinho qualquer, seja abrindo os braços e caindo em cima de um oponente no ringue. The Ram é responsável, a cada minuto, por seu próprio salvamento. Ele é feliz lutando, mas não tão feliz vivendo. É no ringue que ele põe sua máscara, sua capa e vira um herói anacrônico, mas o melhor herói que ele consegue ser. E esse tipo de herói é cada vez mais comum no cinema, mas ainda não cansou. Segue encantando.

O filme recebeu duas merecidas indicações ao Oscar (Atriz Coadjuvante e Ator). Rourke tem fortes chances de ganhar esse prêmio e consagrar sua volta ao mainstream do cinema, mas Sean Penn vem crescendo nesses últimos meses e desde que 2009 se iniciou, ele é o favorito. Seria seu segundo prêmio (o primeiro foi por “Sobre Meninos e Lobos” [2003]) e mais do que merecido. Marisa Tomei seria meu voto certeiro se eu tivesse com uma das 5.200 cédulas da academia em minhas mãos. Não acredito numa vitória dela, pois ela já tem um Oscar e concorre com quatro atrizes muito fortes que não têm prêmio nenhum. Mas não seria zebra se ela ganhasse, seria o simples reconhecimento.

Nota: 7,0

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Doubt

Posted in Oscar by partyguest on Fevereiro 13, 2009

Doubt

Doubt é estranho. Ele é um filme sério, bem sério. Mas isso não é suficiente.

Doubt (Dúvida, no Brasil) é um filme de John Patrick Shanley. E quando eu digo que é dele, é dele mesmo. Ele escreveu a peça que inspirou a obra, escreveu o roteiro e a dirigiu. Fora esses fatores eu tenho mais uma razão pra dizer que o filme é dele: Doubt é provavelmente um filme feito do diretor para ele mesmo. Algo como afagar o próprio ego. Na cabeça de Shanley esse filme deve funcionar bem melhor do que na tela. E, quem sabe, nos palcos ele consiga alçar vôos mais altos.
Esse é o típico filme de ator (nada muito estranho, pois todo ano vemos dezenas desses concorrendo aos principais prêmios) e não é um filme ruim, que é o que você deve estar pensando depois de ter lido isso que eu escrevi acima. É apenas uma obra que não dá muito certo, mas não incomoda. Vou falar um pouco dele e depois vamos ao que realmente importa.

Doubt acompanha alguns dias em uma escola católica dirigida por uma freira (não sei se ela é freira, mas parece) ranzinza, autoritária e (considerada) retrógrada que não tem um bom relacionamento com um padre liberal que pela hierarquia católica é o superior dela. Esse padre é acusado por tal freira de aliciar um aluno negro (o único) da escola, a pessoa que alerta a freira ranzinza sobre o acontecido é uma outra freira, nada ranzinza. O enredo gira, de forma bem simples e quieta, em torno do acontecido. Será que o padre fez isso mesmo, ou será que foi apenas impressão das freiras? Fica a DÚVIDA. Simples né? Pronto, é basicamente o que você precisa saber. Agora vamos ao que importa.

Lembra que eu disse que Doubt é um filme de ator? Pois é a mais pura verdade. Vamos por partes.

A primeira freira (a ranzinza) é interpretada por Meryl Streep. Meryl é uma atriz que sempre esteve no meu top 10 e no meu coração. A maneira como Streep interpreta a irmã Beauvier incomoda um pouco no início, talvez esteja um grau acima do nível de afetação que a gente está acostumado a lidar quando assunto é uma boa atuação. E isso em si não é ruim, acontece sempre com muitos atores e acabamos nos acostumando com o perfil da atuação. E com Streep não é diferente. Interpretando a freira ranzinza, ela está tão correta que a gente acaba se sentindo confortável com o nível de malvadez que ela carrega debaixo daquela hábito.
A segunda freira é interpretada por Amy Adams, a bela Bonnie de Charlie Wilson’s War. Adams está tão bem no filme que eu ouso dizer (temendo pedradas e retaliações até do wordpress, posso até ter o blog fechado por isso) que ela está melhor que Streep em todo o filme. A atuação de Adams é tão delicada que se eu a visse na rua eu, nem um pouco cristão, pediria a benção dela na hora. A voz dela está no tom certo, suas expressões transmitem uma fraqueza impressionante, carga necessária para o papel que o personagem tem que exercer no filme.
Por fim, o padre. Philip Seymour Hoffman mais uma vez se entrega completamente a um personagem. É impressionante como a cada filme eu gosto mais desse ator que é, sem dúvida, o melhor de sua geração (o que não é pouca coisa). Hoffman consegue oscilar entre a delicadeza e o ódio em um piscar de olhos. Sua interpretação do padre acusado de pedofilia, é tão intensa que não existe (isso mesmo que você leu, não existe) outro ator que pudesse fazer esse papel de uma forma tão fechada, sem uma falha sequer, sem escorregar em uma expressão. Qualquer tentativa iria soar tão secundária como Toby Jones interpretando Capote em “Infamous” (2006). É bom? Sim, ótimo. É Philip S. Hoffman? Não, desculpe.

Dúvida foi indicado a 5 Oscars (Atriz, Ator Coadjuvante, Atriz Coadjuvante [2 indicações] e Roteiro Adaptado). Existe uma boa chance de Streep ganhar mais um Oscar, talvez por uma identificação maior dos votantes do que por sua atuação, apesar de muito boa no papel. Não acredito que Amy Adams tenha alguma chance. Já Viola Davis, apesar de aparecer por cinco minutos no filme, pode assustar a torcida de Penélope Cruz e levar esse pra casa. Nada merecido se isso acontecer. O roteiro adaptado não é um prêmio muito provável nem muito esperado também. “Slumdog” tem quilômetros de chance à frente. E quanto a Hoffman, ele podia ter tido a melhor atuação do mundo, da história do cinema. Nada tira o prêmio póstumo de Heath Ledger. Merecido, diga-se de passagem.

Acho que me estendi mais do que o filme merece. Doubt não é filme ruim, apenas é um filme que não funciona muito bem. Sua carga política não marca território. Sua crítica religiosa idem. Mas ele vale muito a pena pelo deathmatch travado por esses três atores em cena. E minha nota vai pra eles, que são o filme.

Philip: 9,0
Meryl: 8,5

Amy: 9,0

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Frost/Nixon

Posted in Oscar by partyguest on Fevereiro 10, 2009

Frost/Nixon

No Oscar de 2007, um filme já tinha um prêmio mais do que garantido: o de Melhor Atriz para Helen Mirren por sua fantástica interpretação da rainha Elizabeth II da Inglaterra. Esse filme era “A Rainha” (2006), um relato assustadoramente realista das reações da família real sobre a morte da Princesa Diana.
Assim que ouvi falar pela primeira vez de Frost/Nixon fui procurar saber do que se tratava. Eis que me deparo com o nome de Peter Morgan, o talentoso roteirista que, junto com o grande diretor Stephen Frears, fez esse frio e belo filme sobre a vida no interior do Palácio de Buckingham.
Peter Morgan não só escreveu o roteiro de Frost/Nixon como é autor e diretor da peça que deu origem ao filme. Ron Howard, um diretor que sempre fez filmes tristes, bonitinhos, mas que não passavam disso, mostra que sabe conduzir um bom roteiro pelos caminhos tortuosos que é a adaptação de fatos da vida de uma figura tão forte como Richard Nixon (algo que ele já havia feito, em menor grau, em “Uma Mente Brilhante” [2001])

Frost/Nixon começa mostrando notícias e cenas da época do caso Watergate, uma das maiores coberturas do jornalismo político já vistas na história. E isso não é sem propósito. Morgan/Howard querem com isso dizer para o expectador: “Esse é Richard Nixon, saibam que o terreno que iremos seguir é um campo minado. Saibam com quem estamos lidando aqui.” Talvez David Frost precisasse mais desse conselho do que nós. Vamos a um pouco de história.
No ano da graça de 1977, três anos depois da renúncia do presidente americano Richard Nixon, um carismático apresentador de talk show britânico chamado David Frost tomou uma decisão: “Eu quero ser o primeiro a entrevistar o presidente Nixon após o caso Watergate.” Tarefa não muito fácil na época, pois Nixon não gozava de boa saúde nem de disposição para esse tipo de atividade.  Frost não aceitou um não como resposta. Ofereceu uma bolada pela série de entrevistas que queria fazer e os assessores de Nixon não hesitaram, aceitaram na hora. Voltando ao filme.
Morgan conseguiu colocar o velho Dick Nixon para atuar, pois a atuação assombrosa do veterano Frank Langella nada mais é que a cópia exata do presidente americano. Guarde essa palavra: ASSOMBROSO. A repetição dos atores da peça,  Langella como Nixon e o injustamente esquecido pela crítica Michael Sheen como Frost, tem um motivo: em time que está ganhando de lavada não se mexe, pois a peça de Morgan, em pouco mais de 2 anos em cartaz, conseguiu vencer os principais prêmios do teatro americano.

Frost/Nixon, apostando todas as fichas na atuação de Langella (repito: assombrosa), consegue um êxito talvez inesperado. Sheen é o nome do filme, porque Langella é hors concours. Frost por Sheen faz parte do realismo que o filme sustenta, realismo este mais do que esperado para quem viu A Rainha.
Talvez esse seja o filme mais bem acabado que eu vi nos últimos meses. Atuações precisas, roteiro impermeável, direção e montagem não excepcionais, mas melhores do que muita coisa que vemos por aí.
Forst/Nixon é um filme sobre a verdade. Frost: um inquisidor incansável – sempre tentando conseguir a verdade do presidente. Nixon: um político incansável – sempre sabendo que a melhor resposta é responder sem medo, à vontade frente às câmeras, bem diferente do Dick Nixon nervoso e suarento de 1960. Morgan: um realista incansável – arrancando com as próprias mãos o melhor dessa história, até a última gota.

O filme foi indicado para cinco Oscars (Filme, Diretor, Ator [Langella], Edição e Roteiro Adaptado), mas com poucas chances de ganhar algum deles, a não ser que dê uma zebra daquelas, coisa que eu estou duvidando no momento. Mas não vou negar que queria ver Morgan ganhando Roteiro e Langella ganhando Melhor Ator. Como Howard já ganhou o Oscar de Melhor Diretor em outros carnavais, a possibilidade de acontecer um “Efeito Ang Lee” são poucas. Até o momento é o meu preferido da temporada e dos indicados ao Oscar.

Nota: 9,5

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Slumdog Millionaire

Posted in Oscar by partyguest on Fevereiro 9, 2009

Slumdog Millionaire

Danny Boyle nunca foi um dos meus diretores preferidos e seus filmes sempre me dizem mais do que eu espero que eles digam. Mas em Slumdog Millionaire esse excesso é importante. Quando vi “Trainspotting” (1996) pela primeira vez passei alguns dias procurando sobre o filme e sobre o diretor na jurássica internet de 1999. Pensei em comprar o livro, insisti com o dono da locadora mais próxima à minha casa que me vendesse a fita, pagaria caro. Tenho um amigo que na época veio me dizer que Trainspotting não era nada perto de “Cova Rasa” (1995) e, se eu tinha gostado daquele ia ficar impressionado com esse. Por alguma conjunção cósmica acabei nunca assistindo Cova Rasa. Mas eu percebi, depois de ver Slumdog Millionaire, que isso tem que mudar. Tratarei de ver esse filme de 1995 na primeira oportunidade que tiver. O motivo? Ok, direi:

Slumdog Millionaire (cujo título nacional é “Quem quer ser um milionário?”) não é um filme comum, logo nas primeiras cenas você percebe isso. A fotografia tem um colorido diferente. O manejo com a imagem também. Tem algo de peculiar. Você não tem rostos conhecidos para se afeiçoar, você não sabe por que logo na primeira cena Jamal, o personagem principal (numa boa interpretação do estreante na tela grande Dev Patel), está preso e sendo torturado. O filme começa com uma bagunça, com uma série de perguntas que serão respondidas no momento em que Jamal começa a falar o que os torturadores precisam saber.

Jamal é um rapaz indiano, nascido em meio à pobreza e à violência de uma Índia favelada que está prestes a responder uma pergunta que pode transformá-lo em um milionário, na versão indiana do show “Who wants to be a millionaire?”. Sua trajetória de vida é contada pelo roteiro sagaz de Simon Beaufoy de uma maneira que as perguntas do show milionário que Jamal participa não são nada importantes perto das respostas que ele teve que dar ao longo que sua vida até aquele momento.

Slumdog é um filme muito bonito, apesar de mostrar o lado feio da maioria das pessoas que cruzam o caminho de Jamal e da maioria dos lugares pelos quais Jamal passa. Mas toda essa feiúra é compensada pela belíssima Latika, amor de infância do protagonista, que serve como mola mestra para o desenrolar da história. A história seria mais um conto pitoresco de um fracassado, um underdog, mas Latika faz tudo aquilo valer a pena. E Jamal não nos deixa esquecer que todos esses anos e todas essas respostas que ele teve que dar em sua vida, tinham um único propósito: aproximar eles dois.

O que mais me intrigou quando via o filme foi minha falta de reconhecimento da filmografia de Danny Boyle. Quando eu digo que tenho que ver Cova Rasa é justamente nesse sentido. É tentar identificar quem é Danny Boyle. Assim, tenho que rever também “A Praia” (2000) e “Extermínio” (2002) (o meu preferido). Agora é uma questão pessoal: eu tenho que descobrir quem é Danny Boyle e o que une seus filmes. Preciso entender o que o levou a dirigir essa obra que mescla Hollywood e Bollywood de maneira tão intensa.

O filme carrega um tom de realidade muito próximo ao brasileiro “Cidade de Deus”, mas é uma fantasia, diferente do filme de Meirelles. Ele não tem obrigações com a narrativa realista, pois tudo aquilo oscila entre o real e o imaginário, a certeza e a sorte de Jamal. Não podemos afirmar categoricamente que o protagonista viveu tudo aquilo ou que sabe todas aquelas respostas. Na verdade, isso não importa.

A semelhança com Cidade de Deus é visível. O próprio Boyle é um fã confesso do filme brasileiro. Ele acerta esteticamente nos mesmos pontos que Cidade de Deus. Mas não se deixa levar pelo caminho fácil que seria fazer um Cidade de Deus indiano. Slumdog corre em outra direção. Embalado pela impecável trilha de A. R. Rahman, o filme nos leva lentamente a todas as respostas que nós precisamos na sessão. Tive a sensação de sair de lá tendo visto tudo o que eu filme quis mostrar. É claro que isso é pura ilusão, mas pelo menos a resposta mais importante eu tive: o destino é mais forte que o dinheiro e, muitas vezes, prega peças nele. O momento final de Salim, irmão de Jamal, é a prova cabal disso.

Slumdog Millionaire teve 10 indicações para o Oscar e vem ganhando quase todos os prêmios disputados desde seu lançamento. Não acredito que o filme leve as dez estatuetas, mas podemos contar com, pelo menos, os prêmios de Melhor Diretor, Fotografia, Edição, Canção e Melhor Filme. Algo estranho pode acontecer e algum outro filme levar o prêmio principal, deixando Boyle com apenas o prêmio de Melhor diretor nas mãos. Saberemos dia 22.

Nota: 8,5.

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Uma curiosidade: Os atores mirins do filme foram absurdamente mal pagos para interpretarem seus personagens, sendo que a produção fez girar uma bela quantia de dinheiro e os atores principais receberam muito bem por suas atuações. Pois é, nem tudo é ficção.