so little to say… and so much time.

Inception

Posted in Não classificado by partyguest on Agosto 16, 2010

Christopher Nolan é um ilusionista. Um professor de ilusionismo, talvez. Seus truques têm funcionado com a maioria das pessoas, que sempre dão aquele sorriso besta, embasbacados, no fim de cada um de seus filmes. Também já me deixei levar por seus números. Duas vezes, para ser mais exato.

A primeira vez foi em ‘Amnésia’ (Memento, 2000). Revi o filme umas 3 vezes em algumas semanas, e aquele sorriso, aquela sensação de que havia algo de extraordinário ali, não ia embora. Ainda gosto bastante do filme. Não tenho mais 15 anos, no entanto. Hoje eu percebo que aquele truque de 2000 não era tão difícil assim. Se quiséssemos, poderíamos recria-lo, nos bastaria um bom montador e um roteiro competente. Ta dá!

Umas das estratégias do ilusionismo é desviar a atenção da platéia que, absorta, não consegue ver qual é, de fato, o truque. Um prestidigitador consegue fazer isso inúmeras vezes com platéias diferentes, mas não tem muito sucesso quando repete o mesmo truque para os mesmos espectadores. É por isso que cinema não é mágica, é muito mais que isso.

Nolan apostou no mesmo ilusionismo em seus filmes seguintes. O tema era diferente, a montagem menos confusa, mas a idéia era a mesma. Ele colocou um paletó e uma gravata em seus filmes, e fingiu que eles tinham conteúdo. Não cai, mas muita gente sim. Não engulo seu reboot da franquia ‘Batman’, tampouco sua continuação. Pra mim, aquilo é cinemão tradicional, forjado numa roupa chique. Cinemão muita gente faz, explosão idem. Preciso de muito mais que isso. ‘O Cavaleiro das Trevas’ (The Dark Knight, 2008), no entanto, cresceu muito, em parte por conta de um trunfo que nenhum de seus outros filmes teve: o hype em cima de Heath Ledger. Hype merecido, devemos admitir, pois Heath faz um dos vilões mais assustadores que já vi, em uma atuação impecável.

O que aconteceu foi que, depois de alguns anos torcendo o bico para o cinema de Nolan, li sobre ‘A Origem’ (Inception, 2010), projeto que o diretor desenvolvia há 10 anos. Isso me prendeu. Adoro projetos de décadas, ambiciosos, perfeccionistas. Me empolguei e li tudo sobre a produção, durante os últimos meses. E fui ver.

Pela segunda vez em 10 anos me deixei levar e entrei na ilusão. Não me arrependo e explico por quê. O que Nolan faz em ‘A Origem’ é pegar a complexidade de um tema com infinitas camadas e traduzir para uma linguagem que, muitas vezes, não tem camada alguma, mal tem superfície, em alguns casos. O cinema de ação é tão antigo quanto andar para frente. Mas poucos sabem fazer dele um bom cinema, um cinema com conteúdo. Impressionar visualmente muitos conseguem, mas poucas são as vezes que os filmes passam disso. Nolan impressiona. ‘A Origem’ é fantástico, em vários sentidos. Ele trata de um universo fantástico, o dos sonhos, que nos é apresentado como uma fantasia visual e que nos prende na tela durante duas horas e meia. Me deixei prender e saí da sala achando que tinha visto um quase-marco histórico da cinematografia. Mas, assim como em um sonho prestes a acabar, este mundo que eu construí durante essas duas horas e meia, começou a desmoronar pouco depois que eu saí do cinema. Acordei, estava encantado com aquilo tudo, mas tinha plena consciência de que havia sido enganado.

Os filmes de Nolan, apesar de carregarem esta mágica como marca registrada, são quase genéricos, na maioria das vezes. E com ‘A Origem’ não é diferente. Fora os belíssimos efeitos visuais, mecânicos e digitais, o filme tem muito pouco a oferecer. O roteiro não é ruim, mas não é amarrado o suficiente, amarrado como um filme desta complexidade exige para ser bom. Os atores parecem por vezes desconectados com seus personagens, como se eles estivessem o tempo todo com aquela sensação que a gente tem quando está sonhando e se dá conta disso, acordando imediatamente. A trilha de Hans Zimmer (com participação de Johnny Marr) é correta, mas não é nada mais, apesar de deixar um “baauuum” grudado em sua cabeça. O filme se propõe a ser um cinemão de ação com conteúdo. Talvez o que ‘Matrix’ (The Matrix, 1999) tenha sido 11 anos atrás. Não tenho dúvida que ‘A Origem’ é um cinemão de ação. Mas o conteúdo, mesmo estando ali, é coadjuvante. Não por pura predileção do diretor. Eu diria que é incompetência mesmo. Os personagens fazem questão de explicar tudo, o tempo todo. Saímos de lá sabendo como entrar em um sonho, como inserir e extrair informações. E a personagem de Ellen Page está lá justamente para ser nossa representante, com uma procuração do espectador perdido, para extrair tudo o que a gente precisa saber. Mas de que importam todas aquelas informações, se a solução que Nolan sempre acha para cada beco sem saída é pular o muro e inventar um caminho novo que, mais uma vez, é explicado à exaustão?

O  diretor tem medo é de cair no lugar comum do cinema de ação/aventura. Eu não coloco ele no mesmo saco dos diretores dos blockbusters mais descerebrados de Hollywood. Acho que Nolan é competente e bem intencionado. No entanto, não tem o talento que muitos acham que ele tem, mas que até ele duvida. Duvida tanto, que se esconde atrás da capa e da cartola. O maior problema de A ‘Origem’ talvez tenha sido o seu tempo de gestação. Nolan talvez tenha repetido o truque tantas vezes para ele mesmo durante estes 10 anos, que ele perdeu o sentido. E se nem ele acredita, por que deveríamos?

Nota: 6,0

Metacritic

Tomatometer

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os 100 dos 2000

Posted in Não classificado by partyguest on Julho 3, 2010

Finalmente tomei coragem e editei o rascunho de top 100 que tinha feito há alguns meses em um bloco de notas. Deu muito trabalho escolher os 100 filmes, dentre quase 300 que eu elenquei no começo do ano. Pode ser que eu mude de idéia quanto às posições de alguns (ou de todos) os filmes citados. Mas por enquanto é isso. Meu top 100 de melhores filmes dos anos 2000.

 

01 – Marcas da Violência (A History of Violence, 2005. Dir.: David Cronenberg)

02 – Gran Torino (2008. Dir.: Clint Eastwood)

03- Wall-E (2008. Dir.: Andrew Stanton)

04 – O Segredo de Brokeback Mountain (Brokeback Mountain, 2005. Dir.: Ang Lee)

05 – Elefante (Elephant, 2003. Dir.: Gus Van Sant)

06 – Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds, 2009. Dir.: Quentin Tarantino)

07 – Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind, 2004. Dir.: Michel Gondry)

08 – Amantes (Two Lovers, 2008. Dir.: James Gray)

09 – O Céu de Suely (2006. Dir.: Karim Ainouz)

10 – Kill Bill – Vol. 2 (2003. Dir.: Quentin Tarantino)

11 – Maria Antonieta (Marie Antoinette, 2006. Dir.: Sofia Coppola)

12 – A Família Savage (The Savages, 2007. Dir.: Tamara Jenkins)

13 – Cão Sem Dono (2007. Dir.: Beto Brant e Renato Ciasca)

14 – Um Homem Sério (A Serious Man, 2009. Dir.: Ethan Coen e Joel Coen)

15 – Edifício Master (2002. Dir.: Eduardo Coutinho)

16 – Senhores do Crime (Eastern Promises, 2007. Dir.: David Cronenberg)

17 – Adaptação (Adaptation, 2002. Dir.: Spike Jonze)

18 – A Viagem de Chihiro (Sen to Chihiro no kamikakushi, 2001. Dir.: Hayao Miyazaki)

19 – Half Nelson (2006. Dir.: Ryan Fleck)

20 – Corpo Fechado (Unbreakable, 2000. Dir.: M. Night Shyamalan)

21 – Milk – A Voz da Liberdade (Milk, 2008. Dir.: Gus Van Sant)

22 – Encontros e Desencontros (Lost in Translation, 2003. Dir.: Sofia Coppola)

23 – Cidade de Deus (2002. Dir.: Fernando Meirelles)

24 – Deixe Ela Entrar (Låt Den Rätte Komma In, 2008. Dir.: Tomas Alfredson)

25 – Frost/Nixon (2008. Dir.: Ron Howard)

26 – Na Natureza Selvagem (Into the Wild, 2007. Dir.: Sean Pean)

27 – Kill Bill – Vol. 1 (2004. Dir.: Quentin Tarantino)

28 – Oldboy (2003. Dir.: Park Chan-Wook)

29 – Assassinato em Gosford Park (Gosford Park, 2001. Dir.: Robert Altman)

30 – Tudo Pode Dar Certo (Whatever Works, 2009. Dir.: Woody Allen)

31 – Antes que o Diabo Saiba Que Você Está Morto (Before the Devil Knows You’re Dead, 2007. Dir.: Sidney Lumet)

32 – Amore Brutos (Amores Perros, 2000. Dir.: Alejandro González Iñárritu)

33 – Desejo e Reparação (Atonement, 2007. Dir.: Joe Wright)

34 – Fale com Ela (Hable con Ella, 2002. Dir.: Pedro Almodóvar)

35 – Loki (2008. Dir.: Paulo Henrique Fontenelli)

36 – Lunar (Moon, 2009. Dir.: Duncan Jones)

37 – Os Excêntricos Tenenbaums ( The Royal Tenenbaums, 2001. Dir.: Wes Anderson)

38 – Sangue Negro (There Will Be Blood, 2007. Dir.: Paul Thomas Anderson)

39 – Monstros S.A. (Monsters Inc., 2001. Dir.: Pete Docter)

40 – Lavoura Arcaica (2001. Dir.: Luiz Fernando Carvalho)

41 – Férias Frustradas de Verão (Adventureland, 2009. Dir.: Greg Mottola)

42 – Avatar (2009. Dir.: James Cameron)

43 – O Tigre e o Dragão (Wo hu cang long, 2000. Dir.: Ang Lee)

44 – O Fantástico Sr. Raposo (Fantastic Mr. Fox, 2009. Dir.: Wes Anderson)

45 – Ligeiramente Grávidos (Knocked Up, 2007. Judd Apatow)

46 – Munique (Munich, 2005. Dir.: Steven Spielberg)

47 – Apenas Uma Vez (Once, 2006. Dir.: John Carney)

48 – This is England (2006. Dir.: Shane Meadows)

49 – A Noiva Cadáver (Corpse Bride, 2005. Dir.: Tim Burton)

50 – Onde os Fracos Não Têm Vez (No Country For Old Men, 2007. Dir.: Ethan Coen e Joel Coen)

51 – Arraste-me Para o Inferno (Drag Me to Hell, 2009. Dir.: Sam Raimi)

52 – Flores Partidas (Broken Flowers, 2005. Dir.: Jim Jarmusch)

53 – Sin City (2005. Dir.: Frank Miller e Robert Rodriguez)

54 – O Castelo Animado (Hauru no ugoku shiro, 2004. Dir.: Hayao Miyazaki)

55 – Ponto Final (Match Point, 2005. Dir.: Woody Allen)

56 – Acampamento de Jesus (Jesus Camp, 2006. Dir.: Heidi Ewing e Rachel Grady)

57 – Menina de Ouro (Million Dollar Baby, 2004. Dir.: Clint Eastwood)

58 – Extermínio (28 Days Later, 2002. Dir.: Danny Boyle)

59 – Diários de Motocicleta (2004. Dir.: Walter Salles)

60 – Dogville (2003. Dir.: Lars Von Trier)

61 – Boa Noite e Boa Sorte (Good Night and Good Luck, 2005. Dir.: George Clooney)

62 – O Jardineiro Fiel (The Constant Gardener, 2005. Dir.: Fernando Meirelles)

63 – Sinédoque, Nova York (Synecdoche, New York, 2008. Dir.: Charlie Kaufman)

64 – The Bubble (2006. Dir.: Eytan Fox)

65 – O Hospedeiro (Gwoemul, 2006. Dir.: Bong Joon-Ho)

66 – No Direction Home: Bob Dylan (2005. Dir.: Martin Scorsese)

67 – O Clã das Adagas Voadoras (Shi mian mai fu, 2004. Dir.: Zhang Yimou)

68 – Alta Fidelidade (High Fidelity, 2000. Dir.: Stephen Frears)

69 – Aconteceu em Woodstock (Taking Woodstock, 2009. Dir.: Ang Lee)

70 – Cartas de Iwo Jima (Letters from Iwo Jima, 2006. Dir.: Clint Eastwood)

71 – Foi Apenas Um Sonho (Revolutionary Road, 2008. Dir.: Sam Mendes)

72 – Sede de Sangue (Bakjwi, 2009. Dir.: Park Chan-Wook)

73 – O Quarto do Pânico (Panic Room, 2002. Dir.: David Fincher)

74 – Superbad – É Hoje (Superbad, 2007. Dir.: Greg Mottola)

75 – Zodíaco (Zodiac, 2007. Dir.: David Fincher)

76 – Star Trek (2009. Dir.: JJ Abrams)

77 – Onde Vivem os Monstros (Where The Wild Things Are, 2009. Dir.: Spike Jonze)

78 – Eu Te Amo, Cara (I Love You, Man, 2009. Dir.: John Hamburg)

79 – Dirigindo no Escuro (Hollywood Ending, 2002. Dir.: Woody Allen)

80 – Ratatouille (2007. Dir.: Brad Bird)

81 – Abril Despedaçado (2001. Dir.: Walter Salles)

82 – Control – A História de Ian Curtis (Control, 2007. Dir.: Anton Corbijn)

83 – E Sua Mãe Também (Y Tu Mamá Tambien, 2001. Dir.: Alfonso Cuarón)

84 – Escola de Rock (The School of Rock, 2003. Richard Linklater)

85 – O Homem-Urso (Grizzly Man, 2005. Dir.: Werner Herzog)

86 – O Invasor (2002. Dir.: Beto Brant)

87 – A Rainha (The Queen, 2006. Dir.: Stephen Frears)

88 – Homem-Aranha 2 (Spider-man 2, 2004. Dir.: Sam Raimi)

89 – 500 Dias Com Ela ((500) Days of Summer, 2009. Dir.: Marc Webb)

90 – Adeus, Lênin! (Good Bye Lenin!, 2003. Dir.: Wolfgang Becker)

91 – Hora de Voltar (Garden State, 2004. Dir.: Zach Braff)

92 – Sobre Meninos e Lobos (Mystic River, 2003. Dir.: Clint Eastwood)

93 – Madame Satã (2002. Dir.: Karim Ainouz)

94 – Sideways – Entres Umas e Outras (Sideways, 2004. Dir.: Alexander Payne)

95 – Ali (2001. Dir.: Michael Mann)

96 – Dançando no Escuro (Dancer in the Dark, 2000. Dir.: Lars Von Trier)

97 – Madrugada dos Mortos (Dawn of The Dead, 2004. Dir.: Zack Snyder)

98 – O Escafandro e A Borboleta (The Diving Bell and the Butterfly, 2007. Dir.: Julian Schnabel)

99 – Colateral (Collateral, 2004. Dir.: Michael Mann)

100 – A Identidade Bourne (The Bourne Identity, 2002. Dir.: Doug Liman)

Top 20 2k9

Posted in Não classificado by partyguest on Dezembro 31, 2009

Então, eu sei que não tenho aparecido muito por aqui, mas eu preciso fazer minha singela lista de melhores do ano e esse é o único lugar onde eu posso fazer isso com tranquilidade. =P

Minha lista sempre se baseia em filmes vistos no ano que está terminando, a do ano passado não foi diferente. No entanto, isso não quer dizer que o filme estreou neste ano. Como os filmes não costumam chegar com tanta frequência aqui pelo nordeste, o que nos resta é esperar pela boa vontade dos exibidores, esperar sair o DVD ou esperar chegar em boa qualidade nos meios alternativos. Bom, os exibidores não foram tão generosos assim, por isso os filmes que eu vi passeiam pela 1ª e pela 3ª opção. Não que isso seja um problema. Longe disso. É claro que eu gostaria de ter visto alguns desses no cinema (devo ter visto metade da lista na tela grande), mas infelizmente não deu. Quem sabe no ano quem.

Bom, eis os escolhidos:

20. Inimigos Públicos (Public Enemies, 2009)
Dir.: Michael Mann

Em um belo dia, Doc Brown chegou para Michael Mann e disse: “Mike, tá rolando uma confusão dos diabos em 1933, você tem que vir comigo!”. Mann perguntou: “Posso levar minha câmera digital?”.
Mann faz você olhar no olho de John Dillinger, que parece sempre se esconder em uma sombra de Chicago. Johnny Depp na melhor atuação de sua carreira.

19. O Lutador (The Wrestler, 2008)
Dir.: Darren Aronofsky

O bom, o mau e o feio… tudo isso dentro de apenas um personagem. Ou de um ator? Mickey Rourke empresta sua carranca para homenagear os grandes heróis que se perderam pelo caminho.

18. Vício Frenético (The Bad Lieutenant: Port of Call – New Orleans, 2009)
Dir.: Werner Herzog

Nicolas Cage, em sua melhor interpretação desde Adaptação (2002), mostra que ainda tem um bom ator por detrás de todos aqueles trejeitos. Herzog fez um filme que honra o título original (e, incrivelmente, é honrado pelo nacional) e que nos coloca em uma montanha russa de soluções simples e geniais. Preciso ver o original, de Abel Ferrara, urgentemente.

17. Moon (2009)
Dir.: Duncan Jones

Há muito tempo que a ficção científica não divertia no cinema. Este ano foi atípico e um dos motivos é a inteligência de Moon, que nos mostra uma ficção oldschool de forma completamente original. Confesso que fiquei ansioso pelo próximo filme de Jones.

16. Star Trek (2009)
Dir.: J.J. Abrams

Me encolhi no sofá e me deixei levar por aquele universo que, para mim, sempre foi muito distante e desinteressante.

15. A Invasora (À l’intérieur, 2007)
Dir.: Julien Maury e Alexandre Bustillo

A extrema violência como uma escolha de vida. Minha admiração por filmes sanguinolentos subiu uns 15 níveis. Os diretores estreantes começaram com o pé direito, bem na porta.

14. Loki – Arnaldo Baptista (2008)
Dir.: Paulo Henrique Fontenelle

Um documentário sensível sobre um artista desconhecido. Sim, eu sei que muita gente conhece conhece Arnaldo, mas antes de ver o filme de Fontenelle eu também achei que conhecia.

13. Sede de Sangue (Bakjwi/Thirst, 2009)
Dir.: Chan-wook Park

Em sua trilogia da vingança, Park levou o espectador ocidental a conhecer a inconsequência da cinema coreano. Seus personagens são perturbados, geralmente pela paixão, sempre por uma mulher. E esta perturbação os destrói. Não espere que o padre-vampiro resista tão bravamente. Thirst é uma fábula vampiresca-sexual sobre o celibato, nada convecional e impossível de ser comparado a qualquer vampiro adolescente que vagueie nos dias de hoje pela tela grande. Seria uma heresia.

12. Eu Te Amo, Cara (I Love You, Man, 2009)
Dir.: John Hamburg

“A bromance or man-crush is a close but non-sexual relationship between two (or more) men, a form of homosocial intimacy.”
Poucas relações são tão apaixonadas.

11. Milk – A Voz da Igualdade (Milk, 2008)
Dir.: Gus Van Sant

A revolução não só foi televisionada como passou em milhares de salas de cinema ao redor do mundo.

10. Avatar (2009)
Dir.: James Cameron

Ele demorou, muitos acharam que nunca ia sair. Mas eis que Cameron consegue, depois de 12 anos de trabalho, fazer a maior experiência cinematográfica que eu já vi. Vi em 2D, contrariando a vontade dele, mas vi. Se todo cineasta fosse metade cientista do que Cameron é, o cinema seria muito mais divertido. (E àqueles que criticam a “fraqueza” do roteiro: se deixem levar, ao menos dessa vez.)

09. Foi Apenas Um Sonho (Revolutionary Road, 2008)
Dir.: Sam Mendes

Sam Mendes continua em sua cruzada para desmascarar a sociedade americana. A cada filme, mais uma série de socos no estômago.

08. Arraste-me Para o Inferno (Drag Me To Hell, 2009)
Dir.: Sam Raimi

Terror nostálgico. Sam Raimi com saudade de quem ele era, fez um filme para mostar que ele ainda é aquele diretor galhofa dos anos 80 e para provar que humor com bigorna não está fora de moda.

07. Tudo Pode Dar Certo (Whatever Works, 2009)
Dir.: Woody Allen

Woody continua dissertando sobre a condição do homem apaixonado, mesmo que essa paixão seja por ele mesmo. E continua sendo o diretor mais sincero que o cinema já viu.
Larry David soberbo.

06. 500 Dias Com Ela ((500) Days of Summer, 2009)
Dir.: Marc Webb

O complô do mundo pop para destruir nossos corações. Teorias do amor moderno.

05. Frost/Nixon (2008)
Dir.: Ron Howard

O embate entre titãs é lugar comum no cinema. Mas Ron Howard dirigiu o momento exato onde um titã que nascia achou que poderia derrotar um titã que morria. Tolo.

04. The Cove (2009)
Dir.: Louie Psihoyos

A câmera é a arma mais letal do mundo contemporâneo. Que bom que algumas pessoas sabem usa-la para o bem. Mas guerra ainda não acabou. Cidadãos, às armas!

03. Amantes (Two Lovers, 2008)
Dir.: James Gray

O coração se mistura com a mente. Eu nunca duvidei que o coração fosse esquizofrênico. Só isso explicaria tudo.

02. Gran Torino (2008)
Dir.: Clint Eastwood

Clint fechou um ciclo. Nos deu o último capítulo da saga de um tipo que, em breve, não vai mais existir. Fica o registro, para consultas futuras.

01. Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds, 2009)
Dir.: Quentin Tarantino

Tarantino vive em um mundo particular. Lá, ele define a maneira como os filmes devem ser. E quem somos nós para tirar a razão de um artista? Ele talvez seja um dos poucos diretores que nunca esquecem da máxima: “Pode ser real, mas passou para o papel, vira ficção”. Que mais diretores esqueçam da pompa da tradição, do modus operandis que paira o cinema dos dias de hoje, e se divirtam. Tarantino se diverte fazendo filmes e eu me divirto assistindo.  Sooound good?!

(500) Days of Summer

Posted in Não classificado by partyguest on Novembro 10, 2009

love will tear us apart

Há alguns dias estou ensaiando este post. Sempre que tentava escrever, me convencia de que ia soar muito passional e texto-de-mim-para-eu-mesmo. E sabe de uma coisa? É assim mesmo que vai soar. Prometo que é só dessa vez (eu acho).

Lá nos idos de junho, mais ou menos, Alexandre Inagaki postou um trailer. Mas não era qualquer trailer, era este aqui.
Minha cabeça deu um clique estranho, no momento.  Não sei se essa sensação estranha foi por não conseguir tirar os olhos dos olhos de Zooey Deschanel (Guia do Mochileiro das Galáxias, The Go-Getter, meu coração…) – que , segundo o diretor, foram ressaltados propositalmente -, pela felicidade de ver um filme que faz questão de colocar uma música dos Smiths na cena mais importante de seu trailer, ou pela sensação de que a sacada do filme tinha sido uma baita de uma idéia genial.

No cinema, os romances geralmente vêm acompanhado de uma trilha sonora quase que onipresente. Mas muitas vezes nem percebemos que ela está por ali, pois ela se esconde por detrás do drama. Quando a gente percebe sua presença, não demora muito pra que estas músicas virem hinos para os apaixonados. No entanto, algo que poucas pessoas param pra pensar é a real relação daquela música com o enredo em si, com os personagens em si e com o romance em si. E isso não é culpa delas, pois as músicas dos filmes não são colocadas ali para definir os personagens, mas para criar um laço afetivo entre o espectador e o enredo. É para embalar a história e nos prender na cadeira. Poucos diretores sabem fazer com que seus filmes tenham a música como protagonista, ou como um personagem muito importante. De cabeça, eu posso citar 3 exemplos onde isso acontece. O primeiro é “Alta Fidelidade” (High Fidelity, 2000), que coloca a música em um altar, como objeto de veneração, mas a tem também como figura tirana para os personagens. Não nos esqueçamos do genial monólogo de Rob, personagem de John Cusack, no começo do filme: “What came first, the music or the misery? People worry about kids playing with guns, or watching violent videos, that some sort of culture of violence will take them over. Nobody worries about kids listening to thousands, literally thousands of songs about heartbreak, rejection, pain, misery and loss. Did I listen to pop music because I was miserable? Or was I miserable because I listened to pop music?” A música neste caso não é só onipresente, ela é parte deste personagem. E é o mesmo que acontece com o segundo exemplo: “Apenas uma Vez” (Once, 2006), filme independente irlandês, que conta a história de um rapaz que conhece uma garota, que muitos poderiam dizer que é a mulher da vida dele, mas que, pela distância que temos dos personagens, nunca teríamos certeza. O nosso terceiro exemplo se destaca justamente por  nos aproximar e nos dar esta certeza.

(500) Days of Summer é mais uma incursão no sub-gênero “boy meets girl”, mas não é qualquer incursão. Marc Webb, em seu primeiro longa-metragem, não fez um filme de romance comum. Ele pegou tudo de bacana que existe em um filme deste sub-gênero,  pegou sua experiência em videoclipes, pegou uma trilha sonora inesperada, misturou tudo e montou de forma genial.  Em (500), a música é um dos personagens principais, talvez menos presente que nos outros dois exemplos, mas, sinceramente, tudo o que vemos neste filme não existiria se não fosse a música. Volte e releia o que Rob disse em seu monólogo inicial. É disso que eu estou falando. Vocês vão ver.

Tom Hansen é um rapaz apaixonado, só não sabe por quem. Summer é uma moça que não se apaixona. Os dois se encontram no elevador do prédio onde trabalham, ele ouvindo Smiths e ela, pelo visto, ouvindo também. É nesse momento que Tom sabe. O narrador do filme nos diz, logo de cara, que “esta não é uma história de amor”. Da primeira vez que eu vi, discordei. Da segunda, hesitei. Da terceira, concordei. Este não é um filme de amor, é uma aula de amor, ou melhor, de relacionamentos. Imagine tudo o que Woody Allen (merecidamente homenageado neste filme) nos ensinou sobre relacionamentos, agora substitua a paranóia caricata por personagens reais, palpáveis, por mim, por você…

(500) é um filme assustador. Assustador por ser real. Quem nunca idealizou um relacionamento, que atire a primeira pedra. Quem nunca achou que sempre doava mais do que recebia, que atire mais uma. Quem nunca se cegou pelas expectativas, tomando um “se oriente” da realidade no final, que atire a terceira.

Marc Webb fez um filme que fala diretamente pra gente. Ele não disfarça com músicas que, em teoria, definem os personagens. A música em (500) é seu atestado de pertencimento. Este filme pertece a Rob, foi feito pra ele. Pertence a todos aqueles que, como Rob, foram intoxicados pela música pop, pelo rock britânico, pelos filmes de amor. Este filme é daqueles que, como ele, foram enganados durante todo esse tempo.

Nota: 10

Metacritic

Tomatometer

behold!

Posted in Não classificado by partyguest on Fevereiro 6, 2009

Há muito que eu registrei esse domínio aqui no wordpress, mas não fazia idéia do que iria fazer com ele.
Pensei em fazer um blog só de memorable quotes, de filme legais, músicas legais ou amigos legais. Depois pensei em fazer um blog de música, mas não consigo escrever sobre música ou indicar artistas sabendo que tenho uma amiga que já o faz tão bem. Assim, decidi fazer um blog sobre cinema (talvez o meu 3º ou 4º sobre isso. hehehe), mas faltava algo. Mais um blog sobre cinema não iria me satisfazer, afinal eu matei todos os outros que eu tive.  =P
Esses dias, assistindo a filmes indicados ao Oscar 2009, senti  a necessidade de falar sobre eles. Não só de comentar com amigos ou de postar no Twitter o que eu achei do filme ou o que deixei de achar. Precisava dar minha opinião clara sobre ele. E inspirado pelo recém criado blog de uma amiga (que vai reunir textos sobre cinema, nerdices e afins , tudo  isso acompanhado por deliciosas receitas veganas) decidi: usarei esse blog (cujo título foi descaradamente inspirado num estêncil de Banksy) para falar sobre filmes. Não só os do Oscar, mas sobre aqueles que eu tiver vontade de falar. Muito provavelmente a idéia dos posts sobre memorable quotes entre de forma mais sutil nesse blog, mas não sei se falarei sobre música, ainda estou decidindo. Se eu falar, vocês vão perceber. hehehe. Isso se acompanharem. 🙂
Ok, vamos lá.