so little to say… and so much time.

(500) Days of Summer

Posted in Não classificado by partyguest on Novembro 10, 2009

love will tear us apart

Há alguns dias estou ensaiando este post. Sempre que tentava escrever, me convencia de que ia soar muito passional e texto-de-mim-para-eu-mesmo. E sabe de uma coisa? É assim mesmo que vai soar. Prometo que é só dessa vez (eu acho).

Lá nos idos de junho, mais ou menos, Alexandre Inagaki postou um trailer. Mas não era qualquer trailer, era este aqui.
Minha cabeça deu um clique estranho, no momento.  Não sei se essa sensação estranha foi por não conseguir tirar os olhos dos olhos de Zooey Deschanel (Guia do Mochileiro das Galáxias, The Go-Getter, meu coração…) – que , segundo o diretor, foram ressaltados propositalmente -, pela felicidade de ver um filme que faz questão de colocar uma música dos Smiths na cena mais importante de seu trailer, ou pela sensação de que a sacada do filme tinha sido uma baita de uma idéia genial.

No cinema, os romances geralmente vêm acompanhado de uma trilha sonora quase que onipresente. Mas muitas vezes nem percebemos que ela está por ali, pois ela se esconde por detrás do drama. Quando a gente percebe sua presença, não demora muito pra que estas músicas virem hinos para os apaixonados. No entanto, algo que poucas pessoas param pra pensar é a real relação daquela música com o enredo em si, com os personagens em si e com o romance em si. E isso não é culpa delas, pois as músicas dos filmes não são colocadas ali para definir os personagens, mas para criar um laço afetivo entre o espectador e o enredo. É para embalar a história e nos prender na cadeira. Poucos diretores sabem fazer com que seus filmes tenham a música como protagonista, ou como um personagem muito importante. De cabeça, eu posso citar 3 exemplos onde isso acontece. O primeiro é “Alta Fidelidade” (High Fidelity, 2000), que coloca a música em um altar, como objeto de veneração, mas a tem também como figura tirana para os personagens. Não nos esqueçamos do genial monólogo de Rob, personagem de John Cusack, no começo do filme: “What came first, the music or the misery? People worry about kids playing with guns, or watching violent videos, that some sort of culture of violence will take them over. Nobody worries about kids listening to thousands, literally thousands of songs about heartbreak, rejection, pain, misery and loss. Did I listen to pop music because I was miserable? Or was I miserable because I listened to pop music?” A música neste caso não é só onipresente, ela é parte deste personagem. E é o mesmo que acontece com o segundo exemplo: “Apenas uma Vez” (Once, 2006), filme independente irlandês, que conta a história de um rapaz que conhece uma garota, que muitos poderiam dizer que é a mulher da vida dele, mas que, pela distância que temos dos personagens, nunca teríamos certeza. O nosso terceiro exemplo se destaca justamente por  nos aproximar e nos dar esta certeza.

(500) Days of Summer é mais uma incursão no sub-gênero “boy meets girl”, mas não é qualquer incursão. Marc Webb, em seu primeiro longa-metragem, não fez um filme de romance comum. Ele pegou tudo de bacana que existe em um filme deste sub-gênero,  pegou sua experiência em videoclipes, pegou uma trilha sonora inesperada, misturou tudo e montou de forma genial.  Em (500), a música é um dos personagens principais, talvez menos presente que nos outros dois exemplos, mas, sinceramente, tudo o que vemos neste filme não existiria se não fosse a música. Volte e releia o que Rob disse em seu monólogo inicial. É disso que eu estou falando. Vocês vão ver.

Tom Hansen é um rapaz apaixonado, só não sabe por quem. Summer é uma moça que não se apaixona. Os dois se encontram no elevador do prédio onde trabalham, ele ouvindo Smiths e ela, pelo visto, ouvindo também. É nesse momento que Tom sabe. O narrador do filme nos diz, logo de cara, que “esta não é uma história de amor”. Da primeira vez que eu vi, discordei. Da segunda, hesitei. Da terceira, concordei. Este não é um filme de amor, é uma aula de amor, ou melhor, de relacionamentos. Imagine tudo o que Woody Allen (merecidamente homenageado neste filme) nos ensinou sobre relacionamentos, agora substitua a paranóia caricata por personagens reais, palpáveis, por mim, por você…

(500) é um filme assustador. Assustador por ser real. Quem nunca idealizou um relacionamento, que atire a primeira pedra. Quem nunca achou que sempre doava mais do que recebia, que atire mais uma. Quem nunca se cegou pelas expectativas, tomando um “se oriente” da realidade no final, que atire a terceira.

Marc Webb fez um filme que fala diretamente pra gente. Ele não disfarça com músicas que, em teoria, definem os personagens. A música em (500) é seu atestado de pertencimento. Este filme pertece a Rob, foi feito pra ele. Pertence a todos aqueles que, como Rob, foram intoxicados pela música pop, pelo rock britânico, pelos filmes de amor. Este filme é daqueles que, como ele, foram enganados durante todo esse tempo.

Nota: 10

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