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The Curious Case of Benjamin Button

Posted in Oscar by partyguest on Fevereiro 20, 2009

The Curious Case of Benjamin Button

Quando David Fincher fez “Clube da Luta” (1999) ele não só fez um dos melhores filmes dos anos 90, mas também solidificou seu nome na tela grande. Sabíamos que depois do sucesso de “Seven” (1995) e de Clube da Luta Fincher seria responsável por assumir grandes projetos ou projetos importantes pro cinema de hollywood. Foi o que aconteceu quando ele dirigiu os excelentes “Quarto do Pânico” (2002) e “Zodíaco” (2007). O diretor conseguiu transitar por tipos variados de linguagem cinematográfica, sem perder seu tom autoral, mesmo que muitos vejam todos esses filmes e não consigam ligar a cinematografia de Fincher, posto que são filmes bem diferentes. Mas não há como negar que se esses filmes não são conectados pela temática são conectados pelo talento desse diretor de 46 anos.
The Curious Case of Benjamin Button foi o mais recente desafio de David Fincher. O que ele tinha em mãos não era mais uma história pequena e pessoal como nos outros filmes (com exceção de Zodíaco). Agora estamos falando de um filme muito maior que os anteriores, no sentido de que se o diretor não tiver pulso firme o filme acaba por engoli-lo. Esse não foi o caso. Todos esses anos, Ficnher nos proporcionou filmes profundos, mas bem intimistas. Benjamin Button é algo como um produto desses anos de amadurecimento. E com isso eu não quero dizer que ele é melhor que os filmes anteriores. Ainda considero Clube da Luta um filme indispensável para quem quer saber o mínimo de cinema, e é, sem dúvida, um dos 3 melhores filmes dos anos 90. Mas Benjamin Button é diferente. Enquanto seu personagem principal rejuvenesce, fica claro que Fincher envelhece e começa a colher os frutos dessa experiência.

The Curious Case of Benjamin Button, adaptação de um conto de F. Scott Fitzgerald, narra a história de Benjamin Button, um bebê que nasce com uma condição peculiar: ele nasce velho, aparentando ter mais de 80 anos de idade. Desacreditado pelos médicos e familiares, Benjamin passa por uma infância sofrida, vivendo como um idoso, em uma cadeira de rodas. São nessas circunstâncias que Benjamin conhece Daisy, uma menina de cabelos ruivos que vai visitar a avó no asilo em que Benjamin mora. E, apesar da diferença física entre os dois, eles criaram um laço de afeto. Benjamin carregava o sofrimento físico da velhice, mas ele não passava de uma criança.
O filme acompanha o rejuvenescimento do personagem principal, na medida em que Benjamin deixa de ser um Brad Pitt raquítico e envelhecido para ser um Brad Pitt em plena forma, que esbanja juventude, mas traz consigo o peso de uma velhice precoce. É nesse processo de metamorfose que vemos quão habilidoso Fincher é. Vemos o filme acompanhar a transformação de Benjamin na medida em que ele próprio vai rejuvenescendo. The Curious Case of Benjamin Button começa como um filme envelhecido, uma homenagem certeira a um tipo de cinema mais clássico em contraponto com uma linguagem mais moderna adotada a partir da medate do filme. Assim como o personagem, o filme também fica mais jovem, conseguindo não perder o ritmo de seu próprio enredo. Temos, já nos anos 50 e 60, um Benjamin que dialoga muito bem com sua época. E temos um Fincher que consegue se locomover durante todo o filme, sem perder a noção de que o filme não pode envelhecer enquanto seu personagem principal rejuvenesce. Não podemos deixar de reconhecer o papel do roteiro escrito por Eric Roth, para que toda essa coerência se operacionalize. The Curious Case of Benjamin Button é um filme coerente, pois tem um diretor que sabe lidar com a psicologia de seu personagem de uma forma quase rara no cinema atual e um roteirista que sabe lidar com as mudanças de tempo e mentalidade como ninguém, um exemplo disso é o seu roteiro para “Forrest Gump” (1994), filme que trata a passagem do tempo com uma seriedade digna de um clássico como “Cidadão Kane” (1941).
Em cena, atores muito talentosos interpretando papéis que podem marcá-los para o resto de suas vidas (assim com aconteceu com Tom Hanks). E isso não é algo negativo, pois vemos uma agradável maturidade na atuação de Brad Pitt, interpretando o personagem título, e a sutileza característica de Cate Blanchett interpretando Dayse, o amor de infância de Benjamin.
Embalado pela belíssima trilha de Alexandre Desplat (responsável pela bonita trilha de “A Rainha”), Benjamin Button nos dá uma aula de maturidade, de trás para frente.
O filme consegue ter um elenco principal muito bem afiado, mas peca um pouco em seu elenco de apoio. Os coadjuvantes mais secundários parecem, às vezes, um tanto deslocados em cena (que é o caso da personagem de Julia Ormond), mas não fazem feio.
The Curious Case of Benjamin Button é um daqueles filmes que viram referência, que é sempre citado para ganhar discussões ou fazer valer um argumento. Não é o filme do ano, talvez ele precisasse comover um pouco mais, mas mesmo assim figura entre os 5 melhores de uma temporada fortíssima. David Fincher prova mais uma vez que é muito talentoso e igualmente coerente, assim como seu filme.

O filme teve o maior número de indicações ao Oscar desse ano, com 13 menções (Direção de Arte, Fotografia, Figurino, Diretor, Edição, Maquiagem, Trilha Sonora Original, Som, Efeitos Visuais, Ator, Atriz Coadjuvante e Roteiro Adaptado). Se Benjamin Button não vencer as principais categorias que disputa, corre o risco de ir para casa de mãos vazias, pois acaba perdendo prêmios designados para filmes desse tipo, que vêm com o carimbo do Oscar na testa. Mas mesmo assim, considero esse filme o favorito nos quesitos Direção de Arte, Maquiagem e Trilha Sonora Original. E espero que o esmero de Fincher não passe longe desse reconhecimento.

Nota: 8,5

Média do Metacritic

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3 Respostas

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  1. Peu said, on Fevereiro 21, 2009 at 4:16 am

    Gostei muito do filme. Em certas partes, aparece mesmo o dedo do diretor com uma certa referência a Forrest Gump. Não acho que a atuação de Brad Pitt seja digna de Oscar, mas a de Cate Blanchett, sim. Espero que seja reconhecido pelo conjunto da obra com prêmios em categorias mais interessantes e não apenas com premiações técnicas.

    • partyguest said, on Fevereiro 21, 2009 at 1:39 pm

      pois é, peu. também a atuação de cate melhor que a de brad.
      mas ela já ganhou, daí ficou ofuscada. ele ainda não.
      e cada dia que passa eu vejo que o filme vai acabar ganhando os categorias técnicas. infelizmente.

  2. Marcelo Rego said, on Março 15, 2009 at 1:06 am

    Achei uma baita sacanagem da academia nao ter premiado com diversos oscar’s inclusive com o de melhor filme…………


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