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Milk

Posted in Oscar by partyguest on Fevereiro 19, 2009

Milk

Há mais de um mês que estou digerindo esse filme, assim como essa resenha. Mas agora vai.
O motivo da dificuldade é que Milk não é um filme fácil. Ele aparenta ser mais uma cinebiografia, mas só o fato do projeto ter sido realizado pelas mãos talentosas de Gus Vant Sant já demonstra que esse não é um filme comum.
Van Sant já nos mostrou do que é capaz em filmes muito bons como “Os Últimos Dias” (2005), “Elephant” (2003) e outras obras ainda mais cultuadas dos anos 80 e 90 como “Mala Noche” (1985), “Drugstore Cowboy” (1989) e “Garotos de Programa” (1991). O diretor é conhecido por transitar pelo cinema queer na maioria dos seus filmes. Milk é um dos pontos de parada nesse seu percurso pelo queer americano. E é talvez o mais importante.

Milk narra a trajetória do primeiro americano assumidamente gay a ter uma carreira política nos EUA. Harvey Milk era um nova-iorquino, descendente de judeus que até se mudar para a cidade de São Francisco escondia sua homossexualidade. O filme nos mostra, como ponto de partida, um Harvey Milk que, aos 40 anos, não tinha ,em suas próprias palavras, nada na vida para se orgulhar. Por isso, acompanhado de seu companheiro Scott Smith, Harvey se muda para São Francisco e abre uma loja de material para fotografia. E lá descobre que sua vida estaria começando, tardiamente.
Gus Van Sant nos apresenta um Harvey Milk engajado na luta pelos direitos dos homossexuais na América dos anos 70. É esse personagem que altera o rumo desse movimento em um período em que a prioridade política americana não passava nem perto de questões desse tipo. Milk é considerado até hoje como o pioneiro dessa luta.
O filme trata todos os personagens com uma sutileza tão grande que até as cenas de violência quase que flutuam. Milk é um filme que não foi feito apenas para alimentar todo um conjunto de cinema queer, mas ele é combativo, é ativo e militante, algo que é estranho ao cinema de Van Sant. Nos filmes anteriores desse diretor o queer não era, em boa parte dos casos, o sujeito ativo de sua história, mas um outsider que tinha como última preocupação qualquer questão desse tipo. Nesse filme vemos um militante. E talvez essa seja uma das grandes críticas ao filme, vinda dos que conhecem a obra diretor. A pergunta é: a militância é importante ou continuar como outsider é fundamental? É nesse nível mais complexo que se localiza o coração dramático de Milk.
Além de um roteiro muito bem escrito por Dustin Lance Black, Milk carrega um traço autoral muito forte de Gus Van Sant, presente em inúmeras cenas no decorrer do filme (quem conhece algum filme do diretor, com exceção talvez de Gênio Indomável, vai notar esse traço). É definitivamente um dos melhores filmes dessa temporada e tem como um dos trunfos principais as atuações inspiradas de Sean Penn, Emile Hirsch, Josh Brolin, Diego Luna e James Franco. Todo o elenco consegue oscilar entre a leveza trabalhada pelo roteiro e pela direção e a dureza e aspereza do tema tratado. Milk impressiona em tantos sentidos que fica até difícil falar de todos eles. É um filme bonito sobre a trajetória de vida curta de um político. É um filme sobre amadurecimento. Depois de tantos anos, Harvey Milk amadurece e se dá conta do que realmente importa. E me parece que Gus Van Sant aprendeu muito com ele e nos ensina nessa obra.

Milk conseguiu 8 indicações ao Oscar desse ano (Figurino, Direção, Edição, Trilha Sonora Original, Filme, Ator, Ator Coadjuvante e Roteiro Original). Josh Brolin, apesar de estar muito bem no filme, não tem chances frente ao furacão Ledger, na verdade nenhum deles tem. A concorrência nas demais categorias está muito grande e é muito provável que Milk saia da cerimônia de mãos vazias, ou quase. Eu aposto em pelo menos um prêmio, o de Melhor Ator para Sean Penn. A briga nessa categoria está entre ele e Mickey Rourke, mas Penn vem ganhando os prêmios mais importantes dos últimos meses e a preferência da crítica. Existe a possibilidade de Penn sair de lá com seu segundo e merecido Oscar. Um dos prêmios que eu gostaria de ver Milk ganhando seria o de Melhor Trilha Sonora Original, magistralmente composta por Danny Elfman, conhecido por seus inúmeros trabalhos com o diretor Tim Burton. Mas essa categoria tem candidatos tão fortes que eu duvido muito que Elfman saia vencedor.

Nota: 9,0

Média do Metacritic

Tomatometer

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