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Frost/Nixon

Posted in Oscar by partyguest on Fevereiro 10, 2009

Frost/Nixon

No Oscar de 2007, um filme já tinha um prêmio mais do que garantido: o de Melhor Atriz para Helen Mirren por sua fantástica interpretação da rainha Elizabeth II da Inglaterra. Esse filme era “A Rainha” (2006), um relato assustadoramente realista das reações da família real sobre a morte da Princesa Diana.
Assim que ouvi falar pela primeira vez de Frost/Nixon fui procurar saber do que se tratava. Eis que me deparo com o nome de Peter Morgan, o talentoso roteirista que, junto com o grande diretor Stephen Frears, fez esse frio e belo filme sobre a vida no interior do Palácio de Buckingham.
Peter Morgan não só escreveu o roteiro de Frost/Nixon como é autor e diretor da peça que deu origem ao filme. Ron Howard, um diretor que sempre fez filmes tristes, bonitinhos, mas que não passavam disso, mostra que sabe conduzir um bom roteiro pelos caminhos tortuosos que é a adaptação de fatos da vida de uma figura tão forte como Richard Nixon (algo que ele já havia feito, em menor grau, em “Uma Mente Brilhante” [2001])

Frost/Nixon começa mostrando notícias e cenas da época do caso Watergate, uma das maiores coberturas do jornalismo político já vistas na história. E isso não é sem propósito. Morgan/Howard querem com isso dizer para o expectador: “Esse é Richard Nixon, saibam que o terreno que iremos seguir é um campo minado. Saibam com quem estamos lidando aqui.” Talvez David Frost precisasse mais desse conselho do que nós. Vamos a um pouco de história.
No ano da graça de 1977, três anos depois da renúncia do presidente americano Richard Nixon, um carismático apresentador de talk show britânico chamado David Frost tomou uma decisão: “Eu quero ser o primeiro a entrevistar o presidente Nixon após o caso Watergate.” Tarefa não muito fácil na época, pois Nixon não gozava de boa saúde nem de disposição para esse tipo de atividade.  Frost não aceitou um não como resposta. Ofereceu uma bolada pela série de entrevistas que queria fazer e os assessores de Nixon não hesitaram, aceitaram na hora. Voltando ao filme.
Morgan conseguiu colocar o velho Dick Nixon para atuar, pois a atuação assombrosa do veterano Frank Langella nada mais é que a cópia exata do presidente americano. Guarde essa palavra: ASSOMBROSO. A repetição dos atores da peça,  Langella como Nixon e o injustamente esquecido pela crítica Michael Sheen como Frost, tem um motivo: em time que está ganhando de lavada não se mexe, pois a peça de Morgan, em pouco mais de 2 anos em cartaz, conseguiu vencer os principais prêmios do teatro americano.

Frost/Nixon, apostando todas as fichas na atuação de Langella (repito: assombrosa), consegue um êxito talvez inesperado. Sheen é o nome do filme, porque Langella é hors concours. Frost por Sheen faz parte do realismo que o filme sustenta, realismo este mais do que esperado para quem viu A Rainha.
Talvez esse seja o filme mais bem acabado que eu vi nos últimos meses. Atuações precisas, roteiro impermeável, direção e montagem não excepcionais, mas melhores do que muita coisa que vemos por aí.
Forst/Nixon é um filme sobre a verdade. Frost: um inquisidor incansável – sempre tentando conseguir a verdade do presidente. Nixon: um político incansável – sempre sabendo que a melhor resposta é responder sem medo, à vontade frente às câmeras, bem diferente do Dick Nixon nervoso e suarento de 1960. Morgan: um realista incansável – arrancando com as próprias mãos o melhor dessa história, até a última gota.

O filme foi indicado para cinco Oscars (Filme, Diretor, Ator [Langella], Edição e Roteiro Adaptado), mas com poucas chances de ganhar algum deles, a não ser que dê uma zebra daquelas, coisa que eu estou duvidando no momento. Mas não vou negar que queria ver Morgan ganhando Roteiro e Langella ganhando Melhor Ator. Como Howard já ganhou o Oscar de Melhor Diretor em outros carnavais, a possibilidade de acontecer um “Efeito Ang Lee” são poucas. Até o momento é o meu preferido da temporada e dos indicados ao Oscar.

Nota: 9,5

Média no Metacritic

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4 Respostas

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  1. dani said, on Fevereiro 10, 2009 at 3:01 am

    Não vi ainda mas recebeu 9,5 por vc, oi? Mais que Slumdog? Caralho tenho que ver…

  2. partyguest said, on Fevereiro 10, 2009 at 3:20 am

    veja msm, cara.

  3. márcio thiago said, on Fevereiro 12, 2009 at 3:03 pm

    breno, vc gostou de ‘boa noite e boa sorte’. ‘frost/nixon’ de alguma forma se compara a ele? quem pergunta quer saber.

  4. brendons said, on Fevereiro 12, 2009 at 4:05 pm

    breno responde: não, cara. eu pelo menos não acho nada parecido. boa noite e boa sorte é muito mais denso e sombrio. esse é mais descontraído. até as piadas do boa noite são sombrias.
    mas é melhor de que boa noite e boa sorte, se vc quer saber. hahaha


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