so little to say… and so much time.

Palpites

Posted in Oscar by partyguest on Fevereiro 20, 2009

Oscar 2009

Aqui estão meus palpites para o Oscar 2009. Note que os filmes marcados em vermelho são os que eu considero favoritos na disputa pelo prêmio, mas não significam necessariamente as minhas preferências do ano. Se assim fosse, os filmes marcados seriam um tanto diferentes. Cheguei a essa lista assistindo a uma boa parcela dos filmes indicados e lendo críticas e awardmeters da maioria deles. As categorias menores são sempre as mais difíceis de opinar, pelo raro acesso que temos a alguns filmes, por isso os palpites nessa área são sempre muito inseguros. Dia 22 de Fevereiro saberemos se tive sorte.

Melhor Filme

  • Quem Quer Ser Um Milionário?
  • Frost/Nixon
  • O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Milk – A Voz da Liberdade
  • O Leitor

Melhor diretor

  • David Fincher – O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Ron Howard – Frost/Nixon
  • Gus Van Sant – Milk – A Voz da Liberdade
  • Stephen Daldry – O Leitor
  • Danny Boyle – Quem Quer Ser Um Milionário?

Melhor ator

  • Mickey Rourke – O Lutador
  • Sean Penn – Milk – A Voz da Liberdade
  • Frank Langella – Frost/Nixon
  • Brad Pitt – O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Richard Jenkins – The visitor

Melhor atriz

  • Meryl Streep – Dúvida
  • Kate Winslet – O Leitor
  • Anne Hathaway – O Casamento de Rachel
  • Angelina Jolie – A Troca
  • Melissa Leo – Rio Congelado

Melhor ator coadjuvante

  • Heath Ledger – Batman – O Cavaleiro das Trevas
  • Josh Brolin – Milk – A Voz da Liberdade
  • Robert Downey Jr. – Trovão Tropical
  • Philip Seymour Hoffman – Dúvida
  • Michael Shannon – Foi Apenas um Sonho

Melhor atriz coadjuvante

  • Amy Adams – Dúvida
  • Penélope Cruz – Vicky Cristina Barcelona
  • Viola Davis – Dúvida
  • Taraji P. Henson – O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Marisa Tomei – O Lutador

Melhor Animação Longa-Metragem

  • Bolt – Supercão
  • Kung Fu Panda
  • Wall-E

Melhor Roteiro Adaptado

  • O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Dúvida
  • Frost/Nixon
  • O Leitor
  • Quem Quer Ser Um Milionário?

Melhor Roteiro Original

  • Rio Congelado
  • Simplesmente Feliz
  • Na Mira do Chefe
  • Milk – A Voz da Liberdade
  • Wall-E

Melhor Direção de Arte

  • A Troca
  • O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Batman – O Cavaleiro das Trevas
  • A Duquesa
  • Foi Apenas um Sonho

Melhor Fotografia

  • A Troca
  • O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Batman – O Cavaleiro das Trevas
  • O Leitor
  • Quem Quer Ser Um Milionário?

Melhor Figurino

  • Austrália
  • O Curioso Caso de Benjamin Button
  • A Duquesa
  • Milk – A Voz da Liberdade
  • Foi Apenas um Sonho

Melhor Filme Estrangeiro

  • The Baader Meinhoff Complex (Alemanha)
  • Entre os Muros da Escola (Entre les Murs – França)
  • Okuribito (Japão)
  • Revanche (Áustria)
  • Waltz with Bashir (Israel)

Melhor Documentário

  • The Betrayal (Nerakhoon)
  • Encounters at the End of the World
  • The Garden
  • Man on Wire
  • Trouble the Water

Melhor Documentário Curta-Metragem

  • The Conscience of Nhem En
  • The Final Inch
  • Smile Pinki
  • The Witness
  • From the Balcony of Room 306

Melhor Montagem

  • O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Batman – O Cavaleiro das Trevas
  • Frost/Nixon
  • Milk – A Voz da Liberdade
  • Quem Quer Ser Um Milionário?

Melhor Maquiagem

  • O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Batman – O Cavaleiro das Trevas
  • Hellboy II – O Exército Dourado

Trilha Sonora Original

  • O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Defiance
  • Milk – A Voz da Liberdade
  • Quem Quer Ser Um Milionário?
  • Wall-E

Melhor Canção Original

  • “Down to Earth” – Wall-E
  • “Jai Ho” – Quem Quer Ser Um Milionário?
  • “O Saya” – Quem Quer Ser Um Milionário?

Melhor Curta Animado

  • La Maison en Petits Cubes
  • Lavatory – Lovestory
  • Oktapodi
  • Presto
  • This Way up

Melhor Curta Live-Action

  • Auf Der Strecke (On the Line)
  • Manon on the Asphalt
  • New Boy
  • The Pig
  • Spielzeugland (Toyland)

Melhor Edição de Som

  • Batman – O Cavaleiro das Trevas
  • Homem de Ferro
  • Quem Quer Ser Um Milionário?
  • Wall-E
  • O Procurado

Melhor Mixagem de Som

  • O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Batman – O Cavaleiro das Trevas
  • Quem Quer Ser Um Milionário?
  • Wall-E
  • O Procurado

Efeitos Especiais

  • O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Batman – O Cavaleiro das Trevas
  • Homem de Ferro
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The Curious Case of Benjamin Button

Posted in Oscar by partyguest on Fevereiro 20, 2009

The Curious Case of Benjamin Button

Quando David Fincher fez “Clube da Luta” (1999) ele não só fez um dos melhores filmes dos anos 90, mas também solidificou seu nome na tela grande. Sabíamos que depois do sucesso de “Seven” (1995) e de Clube da Luta Fincher seria responsável por assumir grandes projetos ou projetos importantes pro cinema de hollywood. Foi o que aconteceu quando ele dirigiu os excelentes “Quarto do Pânico” (2002) e “Zodíaco” (2007). O diretor conseguiu transitar por tipos variados de linguagem cinematográfica, sem perder seu tom autoral, mesmo que muitos vejam todos esses filmes e não consigam ligar a cinematografia de Fincher, posto que são filmes bem diferentes. Mas não há como negar que se esses filmes não são conectados pela temática são conectados pelo talento desse diretor de 46 anos.
The Curious Case of Benjamin Button foi o mais recente desafio de David Fincher. O que ele tinha em mãos não era mais uma história pequena e pessoal como nos outros filmes (com exceção de Zodíaco). Agora estamos falando de um filme muito maior que os anteriores, no sentido de que se o diretor não tiver pulso firme o filme acaba por engoli-lo. Esse não foi o caso. Todos esses anos, Ficnher nos proporcionou filmes profundos, mas bem intimistas. Benjamin Button é algo como um produto desses anos de amadurecimento. E com isso eu não quero dizer que ele é melhor que os filmes anteriores. Ainda considero Clube da Luta um filme indispensável para quem quer saber o mínimo de cinema, e é, sem dúvida, um dos 3 melhores filmes dos anos 90. Mas Benjamin Button é diferente. Enquanto seu personagem principal rejuvenesce, fica claro que Fincher envelhece e começa a colher os frutos dessa experiência.

The Curious Case of Benjamin Button, adaptação de um conto de F. Scott Fitzgerald, narra a história de Benjamin Button, um bebê que nasce com uma condição peculiar: ele nasce velho, aparentando ter mais de 80 anos de idade. Desacreditado pelos médicos e familiares, Benjamin passa por uma infância sofrida, vivendo como um idoso, em uma cadeira de rodas. São nessas circunstâncias que Benjamin conhece Daisy, uma menina de cabelos ruivos que vai visitar a avó no asilo em que Benjamin mora. E, apesar da diferença física entre os dois, eles criaram um laço de afeto. Benjamin carregava o sofrimento físico da velhice, mas ele não passava de uma criança.
O filme acompanha o rejuvenescimento do personagem principal, na medida em que Benjamin deixa de ser um Brad Pitt raquítico e envelhecido para ser um Brad Pitt em plena forma, que esbanja juventude, mas traz consigo o peso de uma velhice precoce. É nesse processo de metamorfose que vemos quão habilidoso Fincher é. Vemos o filme acompanhar a transformação de Benjamin na medida em que ele próprio vai rejuvenescendo. The Curious Case of Benjamin Button começa como um filme envelhecido, uma homenagem certeira a um tipo de cinema mais clássico em contraponto com uma linguagem mais moderna adotada a partir da medate do filme. Assim como o personagem, o filme também fica mais jovem, conseguindo não perder o ritmo de seu próprio enredo. Temos, já nos anos 50 e 60, um Benjamin que dialoga muito bem com sua época. E temos um Fincher que consegue se locomover durante todo o filme, sem perder a noção de que o filme não pode envelhecer enquanto seu personagem principal rejuvenesce. Não podemos deixar de reconhecer o papel do roteiro escrito por Eric Roth, para que toda essa coerência se operacionalize. The Curious Case of Benjamin Button é um filme coerente, pois tem um diretor que sabe lidar com a psicologia de seu personagem de uma forma quase rara no cinema atual e um roteirista que sabe lidar com as mudanças de tempo e mentalidade como ninguém, um exemplo disso é o seu roteiro para “Forrest Gump” (1994), filme que trata a passagem do tempo com uma seriedade digna de um clássico como “Cidadão Kane” (1941).
Em cena, atores muito talentosos interpretando papéis que podem marcá-los para o resto de suas vidas (assim com aconteceu com Tom Hanks). E isso não é algo negativo, pois vemos uma agradável maturidade na atuação de Brad Pitt, interpretando o personagem título, e a sutileza característica de Cate Blanchett interpretando Dayse, o amor de infância de Benjamin.
Embalado pela belíssima trilha de Alexandre Desplat (responsável pela bonita trilha de “A Rainha”), Benjamin Button nos dá uma aula de maturidade, de trás para frente.
O filme consegue ter um elenco principal muito bem afiado, mas peca um pouco em seu elenco de apoio. Os coadjuvantes mais secundários parecem, às vezes, um tanto deslocados em cena (que é o caso da personagem de Julia Ormond), mas não fazem feio.
The Curious Case of Benjamin Button é um daqueles filmes que viram referência, que é sempre citado para ganhar discussões ou fazer valer um argumento. Não é o filme do ano, talvez ele precisasse comover um pouco mais, mas mesmo assim figura entre os 5 melhores de uma temporada fortíssima. David Fincher prova mais uma vez que é muito talentoso e igualmente coerente, assim como seu filme.

O filme teve o maior número de indicações ao Oscar desse ano, com 13 menções (Direção de Arte, Fotografia, Figurino, Diretor, Edição, Maquiagem, Trilha Sonora Original, Som, Efeitos Visuais, Ator, Atriz Coadjuvante e Roteiro Adaptado). Se Benjamin Button não vencer as principais categorias que disputa, corre o risco de ir para casa de mãos vazias, pois acaba perdendo prêmios designados para filmes desse tipo, que vêm com o carimbo do Oscar na testa. Mas mesmo assim, considero esse filme o favorito nos quesitos Direção de Arte, Maquiagem e Trilha Sonora Original. E espero que o esmero de Fincher não passe longe desse reconhecimento.

Nota: 8,5

Média do Metacritic

Tomatometer

Milk

Posted in Oscar by partyguest on Fevereiro 19, 2009

Milk

Há mais de um mês que estou digerindo esse filme, assim como essa resenha. Mas agora vai.
O motivo da dificuldade é que Milk não é um filme fácil. Ele aparenta ser mais uma cinebiografia, mas só o fato do projeto ter sido realizado pelas mãos talentosas de Gus Vant Sant já demonstra que esse não é um filme comum.
Van Sant já nos mostrou do que é capaz em filmes muito bons como “Os Últimos Dias” (2005), “Elephant” (2003) e outras obras ainda mais cultuadas dos anos 80 e 90 como “Mala Noche” (1985), “Drugstore Cowboy” (1989) e “Garotos de Programa” (1991). O diretor é conhecido por transitar pelo cinema queer na maioria dos seus filmes. Milk é um dos pontos de parada nesse seu percurso pelo queer americano. E é talvez o mais importante.

Milk narra a trajetória do primeiro americano assumidamente gay a ter uma carreira política nos EUA. Harvey Milk era um nova-iorquino, descendente de judeus que até se mudar para a cidade de São Francisco escondia sua homossexualidade. O filme nos mostra, como ponto de partida, um Harvey Milk que, aos 40 anos, não tinha ,em suas próprias palavras, nada na vida para se orgulhar. Por isso, acompanhado de seu companheiro Scott Smith, Harvey se muda para São Francisco e abre uma loja de material para fotografia. E lá descobre que sua vida estaria começando, tardiamente.
Gus Van Sant nos apresenta um Harvey Milk engajado na luta pelos direitos dos homossexuais na América dos anos 70. É esse personagem que altera o rumo desse movimento em um período em que a prioridade política americana não passava nem perto de questões desse tipo. Milk é considerado até hoje como o pioneiro dessa luta.
O filme trata todos os personagens com uma sutileza tão grande que até as cenas de violência quase que flutuam. Milk é um filme que não foi feito apenas para alimentar todo um conjunto de cinema queer, mas ele é combativo, é ativo e militante, algo que é estranho ao cinema de Van Sant. Nos filmes anteriores desse diretor o queer não era, em boa parte dos casos, o sujeito ativo de sua história, mas um outsider que tinha como última preocupação qualquer questão desse tipo. Nesse filme vemos um militante. E talvez essa seja uma das grandes críticas ao filme, vinda dos que conhecem a obra diretor. A pergunta é: a militância é importante ou continuar como outsider é fundamental? É nesse nível mais complexo que se localiza o coração dramático de Milk.
Além de um roteiro muito bem escrito por Dustin Lance Black, Milk carrega um traço autoral muito forte de Gus Van Sant, presente em inúmeras cenas no decorrer do filme (quem conhece algum filme do diretor, com exceção talvez de Gênio Indomável, vai notar esse traço). É definitivamente um dos melhores filmes dessa temporada e tem como um dos trunfos principais as atuações inspiradas de Sean Penn, Emile Hirsch, Josh Brolin, Diego Luna e James Franco. Todo o elenco consegue oscilar entre a leveza trabalhada pelo roteiro e pela direção e a dureza e aspereza do tema tratado. Milk impressiona em tantos sentidos que fica até difícil falar de todos eles. É um filme bonito sobre a trajetória de vida curta de um político. É um filme sobre amadurecimento. Depois de tantos anos, Harvey Milk amadurece e se dá conta do que realmente importa. E me parece que Gus Van Sant aprendeu muito com ele e nos ensina nessa obra.

Milk conseguiu 8 indicações ao Oscar desse ano (Figurino, Direção, Edição, Trilha Sonora Original, Filme, Ator, Ator Coadjuvante e Roteiro Original). Josh Brolin, apesar de estar muito bem no filme, não tem chances frente ao furacão Ledger, na verdade nenhum deles tem. A concorrência nas demais categorias está muito grande e é muito provável que Milk saia da cerimônia de mãos vazias, ou quase. Eu aposto em pelo menos um prêmio, o de Melhor Ator para Sean Penn. A briga nessa categoria está entre ele e Mickey Rourke, mas Penn vem ganhando os prêmios mais importantes dos últimos meses e a preferência da crítica. Existe a possibilidade de Penn sair de lá com seu segundo e merecido Oscar. Um dos prêmios que eu gostaria de ver Milk ganhando seria o de Melhor Trilha Sonora Original, magistralmente composta por Danny Elfman, conhecido por seus inúmeros trabalhos com o diretor Tim Burton. Mas essa categoria tem candidatos tão fortes que eu duvido muito que Elfman saia vencedor.

Nota: 9,0

Média do Metacritic

Tomatometer

WALL-E/Bolt

Posted in Oscar by partyguest on Fevereiro 18, 2009

WALL-E

Talvez estejamos presenciando uma revolução técnica e estilística no cinema, não sei se vocês estão percebendo. Se não estão, assistam WALL-E e vejam com seus próprios olhos.

O filme, escrito e dirigido por Andrew Stanton (responsável por “Procurando Nemo”, “Toy Story”, “Monstros S.A”. e “Vida de Inseto”), é um dos mais recentes trabalhos da talentosa Pixar, umas das maiores produtoras de animação de Hollywood.
Temos na tela um robozinho solitário chamado WALL-E, cuja rotina se resume a recolher e compactar lixo numa Terra futurística e pós-apocalíptica. O robozinho preenche seus dias fazendo seu trabalho e recolhendo souvenires deixados pelos humanos nessa terra abandonada. Até que um dia eis que surge EVE, um robô muito mais moderno que vem à terra com uma missão específica, uma diretriz, que será revelada aos poucos no decorrer do filme. Então temos o que pra mim é uma das mais bonitas histórias de amor já vistas no cinema.
WALL-E é quase um filme mudo, mescla algumas poucas palavras humanas com os sons digitais dos robôs em questão (sons feitos pela mesma equipe de sonorização da saga “Star Wars”). É impossível percorrer as críticas já escritas sobre esse filme e não achar uma menção ao cinema de Charles Chaplin. E essa menção não é à toa. WALL-E é Chaplin, do começo ao fim. Não precisa de palavras pra construir diálogos que podemos ler no olhar do pequeno robô enferrujado. E tem a mesma delicadeza presente na obra do mestre do cinema mudo. O filmes desliza, quase como uma dança muito bem coreografada.
A Pixar e a Walt Disney são as responsáveis pela mais bela homenagem já feita ao cinema de Chaplin. E são ainda responsáveis por uma belíssima história de amor, a mais bonita em muitos anos, pelo melhor longa de animação dos últimos anos, pois o filme é tecnicamente perfeito e estilisticamente inovador, e pela espetacular cena do balé espacial de WALL-E e EVE, que já está entre as melhores cenas do cinema contemporâneo.

O filme recebeu 6 indicações ao Oscar 2009, fato inédito para um longa de animação, o que deixa mais claro o papel de WALL-E no cinema atual. Dentre todas as categorias às quais o filme concorre (Trilha Sonora Original, Canção Original, Edição de Som, Mixagem de Som, Animação e Roteiro Original) a mais segura de todas é a de Melhor Animação, prêmio garantido para o filme. WALL-E ainda disputa com fortes chances os prêmios de Roteiro Original e Canção Original. Já os outros prêmios têm nomes mais fortes na disputa, o que dificulta a vitória do filme da Pixar nessas categorias. Mas não fiquem surpresos se WALL-E levar todos os prêmios que disputa, pois estamos falando de uma obra prima do cinema.

Nota: 10

Média do Metacritic

Tomatometer

Bolt

Ao contrário de WALL-E, Bolt não consegue ser tão inovador no estilo. É apenas mais um história de amizade entre uma criança e um cachorro. Mas nem por isso é um filme ruim. Vemos em tela o mesmo apuro técnico dado pela Pixar/Disney aos projetos mais recentes, mas esse é um filme menos ambicioso que os seus colegas de estúdio.

Bolt conta a história do cachorro que dá título ao filme e que vive no mundo da fantasia do cinema. Ele é um daqueles animais atores. Mas Bolt não é um simples ator, na verdade para ele nada daquilo é atuação, ele acredita que está salvando sua “dona” das garras de um vilão maléfico. Assim, quando Bolt se perde da produção ele tem que aprender a viver no mundo real, sem seus “poderes” e tentar salvar sua companheira de cena com a ajuda de uma gata de rua e de um hamster obeso.

A Disney fez mais um filme bonito, mas que não passa disso. É um filme legal de se ver, mas que não vai necessariamente causar o impacto de muitas das animações que vêm sendo feitas ultimamente.

O filme foi indicado ao prêmio de Melhor Animação no Oscar desse ano, mas não tem chances perto de WALL-E.

Nota: 7,5

Média do Metacritic

Tomatometer

The Wrestler

Posted in Oscar by partyguest on Fevereiro 17, 2009

The Wrestler

Talvez eu precise virar um lutador e tomar umas pancadas na cabeça pra ver se eu consigo gostar de The Wrestler, como muita gente gostou.

The Wrestler acompanha um curto período da vida do lutador de luta livre Randy “The Ram” Robinson. Ram, como gosta de ser chamado, é um personagem muito forte, em todos os sentidos possíveis. Ele está presente em absolutamente todas as cenas. E todas elas são igualmente fortes. Mas mesmo isso não consegue nos entregar um filme completo.
Logo no início, temos a impressão que se trata de um filme de herói. A abertura com letras que mais lembram filmes inspirados em quadrinhos da Marvel, acompanhadas por imagens de recortes de Jornal que engrandecem The Ram, o grande lutador dos anos 80, é ideal pra nos inserir no mundo de faz de conta de Darren Aronofsky, um mundo onde os heróis existem, mas eles são tão ultrapassados quanto a técnica utilizada para compor a abertura do filme. Portanto, Aronofsky nos prepara para saga de um herói de verdade, que é exatamente o que The Ram é.
Seguimos a rotina desse lutador, que vive de apresentações de luta livre, bebedeiras e visitas regulares a uma boate de strip-tease. Após um problema no coração as coisas mudam para Ram. Ele tem que aprender a lidar com um emprego que não lhe agrada, com uma filha que ele não vê há muitos anos e com o afeto que ele nutre por Cassidy, uma das dançarinas da boate.
The Wrestler tem todos os elementos para a construção de um ótimo filme: personagens fortes, abordagens dramáticas e realistas dos problemas deles e um verdadeiro astro encabeçando o projeto. Mas Aronofsky não consegue fazê-lo decolar. O filme engatinha o tempo todo, não levanta e diz a que veio. Não tem opinião própria (característica comum em filmes de enredos obscuros, o que não é o caso) e joga o tempo todo em cima da atuação de Mickey Rourke como The Ram e de Marisa Tomei (na melhor atuação feminina do ano) como Cassidy. E o filme fica nisso. O jogo de interpretação é mais uma vez atendido. E talvez seja isso que salve o filme. Rourke e Tomei seguram tão bem o filme que ele se torna um filme bom. Incompleto, mas bem correto.
Apesar da incompletude da obra, Aronofsky consegue incorporar elementos essenciais à narrativa. Isso faz o filme  crescer nos olhos de quem assiste. Não conheço a carreira de Aronofsky. O único filme dele que eu assisti, além de The Wrestler, foi “Réquiem Para Um Sonho” (2000), que não me agradou muito, se bem me lembro. Mas é um filme que está tão obscuro e apagado em minha memória que não serve de parâmetro de comparação aqui. Seria injusto.
No geral, o filme cumpre talvez o papel mais importante que se propõe. Ele mostra a saga de um herói, não de alguém que vive a salvar os outros, mas que salva a si mesmo constantemente. Seja abrindo um sorriso para um cliente em um mercadinho qualquer, seja abrindo os braços e caindo em cima de um oponente no ringue. The Ram é responsável, a cada minuto, por seu próprio salvamento. Ele é feliz lutando, mas não tão feliz vivendo. É no ringue que ele põe sua máscara, sua capa e vira um herói anacrônico, mas o melhor herói que ele consegue ser. E esse tipo de herói é cada vez mais comum no cinema, mas ainda não cansou. Segue encantando.

O filme recebeu duas merecidas indicações ao Oscar (Atriz Coadjuvante e Ator). Rourke tem fortes chances de ganhar esse prêmio e consagrar sua volta ao mainstream do cinema, mas Sean Penn vem crescendo nesses últimos meses e desde que 2009 se iniciou, ele é o favorito. Seria seu segundo prêmio (o primeiro foi por “Sobre Meninos e Lobos” [2003]) e mais do que merecido. Marisa Tomei seria meu voto certeiro se eu tivesse com uma das 5.200 cédulas da academia em minhas mãos. Não acredito numa vitória dela, pois ela já tem um Oscar e concorre com quatro atrizes muito fortes que não têm prêmio nenhum. Mas não seria zebra se ela ganhasse, seria o simples reconhecimento.

Nota: 7,0

Média do Metacritic

Tomatometer

Doubt

Posted in Oscar by partyguest on Fevereiro 13, 2009

Doubt

Doubt é estranho. Ele é um filme sério, bem sério. Mas isso não é suficiente.

Doubt (Dúvida, no Brasil) é um filme de John Patrick Shanley. E quando eu digo que é dele, é dele mesmo. Ele escreveu a peça que inspirou a obra, escreveu o roteiro e a dirigiu. Fora esses fatores eu tenho mais uma razão pra dizer que o filme é dele: Doubt é provavelmente um filme feito do diretor para ele mesmo. Algo como afagar o próprio ego. Na cabeça de Shanley esse filme deve funcionar bem melhor do que na tela. E, quem sabe, nos palcos ele consiga alçar vôos mais altos.
Esse é o típico filme de ator (nada muito estranho, pois todo ano vemos dezenas desses concorrendo aos principais prêmios) e não é um filme ruim, que é o que você deve estar pensando depois de ter lido isso que eu escrevi acima. É apenas uma obra que não dá muito certo, mas não incomoda. Vou falar um pouco dele e depois vamos ao que realmente importa.

Doubt acompanha alguns dias em uma escola católica dirigida por uma freira (não sei se ela é freira, mas parece) ranzinza, autoritária e (considerada) retrógrada que não tem um bom relacionamento com um padre liberal que pela hierarquia católica é o superior dela. Esse padre é acusado por tal freira de aliciar um aluno negro (o único) da escola, a pessoa que alerta a freira ranzinza sobre o acontecido é uma outra freira, nada ranzinza. O enredo gira, de forma bem simples e quieta, em torno do acontecido. Será que o padre fez isso mesmo, ou será que foi apenas impressão das freiras? Fica a DÚVIDA. Simples né? Pronto, é basicamente o que você precisa saber. Agora vamos ao que importa.

Lembra que eu disse que Doubt é um filme de ator? Pois é a mais pura verdade. Vamos por partes.

A primeira freira (a ranzinza) é interpretada por Meryl Streep. Meryl é uma atriz que sempre esteve no meu top 10 e no meu coração. A maneira como Streep interpreta a irmã Beauvier incomoda um pouco no início, talvez esteja um grau acima do nível de afetação que a gente está acostumado a lidar quando assunto é uma boa atuação. E isso em si não é ruim, acontece sempre com muitos atores e acabamos nos acostumando com o perfil da atuação. E com Streep não é diferente. Interpretando a freira ranzinza, ela está tão correta que a gente acaba se sentindo confortável com o nível de malvadez que ela carrega debaixo daquela hábito.
A segunda freira é interpretada por Amy Adams, a bela Bonnie de Charlie Wilson’s War. Adams está tão bem no filme que eu ouso dizer (temendo pedradas e retaliações até do wordpress, posso até ter o blog fechado por isso) que ela está melhor que Streep em todo o filme. A atuação de Adams é tão delicada que se eu a visse na rua eu, nem um pouco cristão, pediria a benção dela na hora. A voz dela está no tom certo, suas expressões transmitem uma fraqueza impressionante, carga necessária para o papel que o personagem tem que exercer no filme.
Por fim, o padre. Philip Seymour Hoffman mais uma vez se entrega completamente a um personagem. É impressionante como a cada filme eu gosto mais desse ator que é, sem dúvida, o melhor de sua geração (o que não é pouca coisa). Hoffman consegue oscilar entre a delicadeza e o ódio em um piscar de olhos. Sua interpretação do padre acusado de pedofilia, é tão intensa que não existe (isso mesmo que você leu, não existe) outro ator que pudesse fazer esse papel de uma forma tão fechada, sem uma falha sequer, sem escorregar em uma expressão. Qualquer tentativa iria soar tão secundária como Toby Jones interpretando Capote em “Infamous” (2006). É bom? Sim, ótimo. É Philip S. Hoffman? Não, desculpe.

Dúvida foi indicado a 5 Oscars (Atriz, Ator Coadjuvante, Atriz Coadjuvante [2 indicações] e Roteiro Adaptado). Existe uma boa chance de Streep ganhar mais um Oscar, talvez por uma identificação maior dos votantes do que por sua atuação, apesar de muito boa no papel. Não acredito que Amy Adams tenha alguma chance. Já Viola Davis, apesar de aparecer por cinco minutos no filme, pode assustar a torcida de Penélope Cruz e levar esse pra casa. Nada merecido se isso acontecer. O roteiro adaptado não é um prêmio muito provável nem muito esperado também. “Slumdog” tem quilômetros de chance à frente. E quanto a Hoffman, ele podia ter tido a melhor atuação do mundo, da história do cinema. Nada tira o prêmio póstumo de Heath Ledger. Merecido, diga-se de passagem.

Acho que me estendi mais do que o filme merece. Doubt não é filme ruim, apenas é um filme que não funciona muito bem. Sua carga política não marca território. Sua crítica religiosa idem. Mas ele vale muito a pena pelo deathmatch travado por esses três atores em cena. E minha nota vai pra eles, que são o filme.

Philip: 9,0
Meryl: 8,5

Amy: 9,0

Média do Metacritic

Tomatometer

Frost/Nixon

Posted in Oscar by partyguest on Fevereiro 10, 2009

Frost/Nixon

No Oscar de 2007, um filme já tinha um prêmio mais do que garantido: o de Melhor Atriz para Helen Mirren por sua fantástica interpretação da rainha Elizabeth II da Inglaterra. Esse filme era “A Rainha” (2006), um relato assustadoramente realista das reações da família real sobre a morte da Princesa Diana.
Assim que ouvi falar pela primeira vez de Frost/Nixon fui procurar saber do que se tratava. Eis que me deparo com o nome de Peter Morgan, o talentoso roteirista que, junto com o grande diretor Stephen Frears, fez esse frio e belo filme sobre a vida no interior do Palácio de Buckingham.
Peter Morgan não só escreveu o roteiro de Frost/Nixon como é autor e diretor da peça que deu origem ao filme. Ron Howard, um diretor que sempre fez filmes tristes, bonitinhos, mas que não passavam disso, mostra que sabe conduzir um bom roteiro pelos caminhos tortuosos que é a adaptação de fatos da vida de uma figura tão forte como Richard Nixon (algo que ele já havia feito, em menor grau, em “Uma Mente Brilhante” [2001])

Frost/Nixon começa mostrando notícias e cenas da época do caso Watergate, uma das maiores coberturas do jornalismo político já vistas na história. E isso não é sem propósito. Morgan/Howard querem com isso dizer para o expectador: “Esse é Richard Nixon, saibam que o terreno que iremos seguir é um campo minado. Saibam com quem estamos lidando aqui.” Talvez David Frost precisasse mais desse conselho do que nós. Vamos a um pouco de história.
No ano da graça de 1977, três anos depois da renúncia do presidente americano Richard Nixon, um carismático apresentador de talk show britânico chamado David Frost tomou uma decisão: “Eu quero ser o primeiro a entrevistar o presidente Nixon após o caso Watergate.” Tarefa não muito fácil na época, pois Nixon não gozava de boa saúde nem de disposição para esse tipo de atividade.  Frost não aceitou um não como resposta. Ofereceu uma bolada pela série de entrevistas que queria fazer e os assessores de Nixon não hesitaram, aceitaram na hora. Voltando ao filme.
Morgan conseguiu colocar o velho Dick Nixon para atuar, pois a atuação assombrosa do veterano Frank Langella nada mais é que a cópia exata do presidente americano. Guarde essa palavra: ASSOMBROSO. A repetição dos atores da peça,  Langella como Nixon e o injustamente esquecido pela crítica Michael Sheen como Frost, tem um motivo: em time que está ganhando de lavada não se mexe, pois a peça de Morgan, em pouco mais de 2 anos em cartaz, conseguiu vencer os principais prêmios do teatro americano.

Frost/Nixon, apostando todas as fichas na atuação de Langella (repito: assombrosa), consegue um êxito talvez inesperado. Sheen é o nome do filme, porque Langella é hors concours. Frost por Sheen faz parte do realismo que o filme sustenta, realismo este mais do que esperado para quem viu A Rainha.
Talvez esse seja o filme mais bem acabado que eu vi nos últimos meses. Atuações precisas, roteiro impermeável, direção e montagem não excepcionais, mas melhores do que muita coisa que vemos por aí.
Forst/Nixon é um filme sobre a verdade. Frost: um inquisidor incansável – sempre tentando conseguir a verdade do presidente. Nixon: um político incansável – sempre sabendo que a melhor resposta é responder sem medo, à vontade frente às câmeras, bem diferente do Dick Nixon nervoso e suarento de 1960. Morgan: um realista incansável – arrancando com as próprias mãos o melhor dessa história, até a última gota.

O filme foi indicado para cinco Oscars (Filme, Diretor, Ator [Langella], Edição e Roteiro Adaptado), mas com poucas chances de ganhar algum deles, a não ser que dê uma zebra daquelas, coisa que eu estou duvidando no momento. Mas não vou negar que queria ver Morgan ganhando Roteiro e Langella ganhando Melhor Ator. Como Howard já ganhou o Oscar de Melhor Diretor em outros carnavais, a possibilidade de acontecer um “Efeito Ang Lee” são poucas. Até o momento é o meu preferido da temporada e dos indicados ao Oscar.

Nota: 9,5

Média no Metacritic

Tomatometer

Slumdog Millionaire

Posted in Oscar by partyguest on Fevereiro 9, 2009

Slumdog Millionaire

Danny Boyle nunca foi um dos meus diretores preferidos e seus filmes sempre me dizem mais do que eu espero que eles digam. Mas em Slumdog Millionaire esse excesso é importante. Quando vi “Trainspotting” (1996) pela primeira vez passei alguns dias procurando sobre o filme e sobre o diretor na jurássica internet de 1999. Pensei em comprar o livro, insisti com o dono da locadora mais próxima à minha casa que me vendesse a fita, pagaria caro. Tenho um amigo que na época veio me dizer que Trainspotting não era nada perto de “Cova Rasa” (1995) e, se eu tinha gostado daquele ia ficar impressionado com esse. Por alguma conjunção cósmica acabei nunca assistindo Cova Rasa. Mas eu percebi, depois de ver Slumdog Millionaire, que isso tem que mudar. Tratarei de ver esse filme de 1995 na primeira oportunidade que tiver. O motivo? Ok, direi:

Slumdog Millionaire (cujo título nacional é “Quem quer ser um milionário?”) não é um filme comum, logo nas primeiras cenas você percebe isso. A fotografia tem um colorido diferente. O manejo com a imagem também. Tem algo de peculiar. Você não tem rostos conhecidos para se afeiçoar, você não sabe por que logo na primeira cena Jamal, o personagem principal (numa boa interpretação do estreante na tela grande Dev Patel), está preso e sendo torturado. O filme começa com uma bagunça, com uma série de perguntas que serão respondidas no momento em que Jamal começa a falar o que os torturadores precisam saber.

Jamal é um rapaz indiano, nascido em meio à pobreza e à violência de uma Índia favelada que está prestes a responder uma pergunta que pode transformá-lo em um milionário, na versão indiana do show “Who wants to be a millionaire?”. Sua trajetória de vida é contada pelo roteiro sagaz de Simon Beaufoy de uma maneira que as perguntas do show milionário que Jamal participa não são nada importantes perto das respostas que ele teve que dar ao longo que sua vida até aquele momento.

Slumdog é um filme muito bonito, apesar de mostrar o lado feio da maioria das pessoas que cruzam o caminho de Jamal e da maioria dos lugares pelos quais Jamal passa. Mas toda essa feiúra é compensada pela belíssima Latika, amor de infância do protagonista, que serve como mola mestra para o desenrolar da história. A história seria mais um conto pitoresco de um fracassado, um underdog, mas Latika faz tudo aquilo valer a pena. E Jamal não nos deixa esquecer que todos esses anos e todas essas respostas que ele teve que dar em sua vida, tinham um único propósito: aproximar eles dois.

O que mais me intrigou quando via o filme foi minha falta de reconhecimento da filmografia de Danny Boyle. Quando eu digo que tenho que ver Cova Rasa é justamente nesse sentido. É tentar identificar quem é Danny Boyle. Assim, tenho que rever também “A Praia” (2000) e “Extermínio” (2002) (o meu preferido). Agora é uma questão pessoal: eu tenho que descobrir quem é Danny Boyle e o que une seus filmes. Preciso entender o que o levou a dirigir essa obra que mescla Hollywood e Bollywood de maneira tão intensa.

O filme carrega um tom de realidade muito próximo ao brasileiro “Cidade de Deus”, mas é uma fantasia, diferente do filme de Meirelles. Ele não tem obrigações com a narrativa realista, pois tudo aquilo oscila entre o real e o imaginário, a certeza e a sorte de Jamal. Não podemos afirmar categoricamente que o protagonista viveu tudo aquilo ou que sabe todas aquelas respostas. Na verdade, isso não importa.

A semelhança com Cidade de Deus é visível. O próprio Boyle é um fã confesso do filme brasileiro. Ele acerta esteticamente nos mesmos pontos que Cidade de Deus. Mas não se deixa levar pelo caminho fácil que seria fazer um Cidade de Deus indiano. Slumdog corre em outra direção. Embalado pela impecável trilha de A. R. Rahman, o filme nos leva lentamente a todas as respostas que nós precisamos na sessão. Tive a sensação de sair de lá tendo visto tudo o que eu filme quis mostrar. É claro que isso é pura ilusão, mas pelo menos a resposta mais importante eu tive: o destino é mais forte que o dinheiro e, muitas vezes, prega peças nele. O momento final de Salim, irmão de Jamal, é a prova cabal disso.

Slumdog Millionaire teve 10 indicações para o Oscar e vem ganhando quase todos os prêmios disputados desde seu lançamento. Não acredito que o filme leve as dez estatuetas, mas podemos contar com, pelo menos, os prêmios de Melhor Diretor, Fotografia, Edição, Canção e Melhor Filme. Algo estranho pode acontecer e algum outro filme levar o prêmio principal, deixando Boyle com apenas o prêmio de Melhor diretor nas mãos. Saberemos dia 22.

Nota: 8,5.

Média do Metacritic

Tomatometer

Uma curiosidade: Os atores mirins do filme foram absurdamente mal pagos para interpretarem seus personagens, sendo que a produção fez girar uma bela quantia de dinheiro e os atores principais receberam muito bem por suas atuações. Pois é, nem tudo é ficção.

behold!

Posted in Não classificado by partyguest on Fevereiro 6, 2009

Há muito que eu registrei esse domínio aqui no wordpress, mas não fazia idéia do que iria fazer com ele.
Pensei em fazer um blog só de memorable quotes, de filme legais, músicas legais ou amigos legais. Depois pensei em fazer um blog de música, mas não consigo escrever sobre música ou indicar artistas sabendo que tenho uma amiga que já o faz tão bem. Assim, decidi fazer um blog sobre cinema (talvez o meu 3º ou 4º sobre isso. hehehe), mas faltava algo. Mais um blog sobre cinema não iria me satisfazer, afinal eu matei todos os outros que eu tive.  =P
Esses dias, assistindo a filmes indicados ao Oscar 2009, senti  a necessidade de falar sobre eles. Não só de comentar com amigos ou de postar no Twitter o que eu achei do filme ou o que deixei de achar. Precisava dar minha opinião clara sobre ele. E inspirado pelo recém criado blog de uma amiga (que vai reunir textos sobre cinema, nerdices e afins , tudo  isso acompanhado por deliciosas receitas veganas) decidi: usarei esse blog (cujo título foi descaradamente inspirado num estêncil de Banksy) para falar sobre filmes. Não só os do Oscar, mas sobre aqueles que eu tiver vontade de falar. Muito provavelmente a idéia dos posts sobre memorable quotes entre de forma mais sutil nesse blog, mas não sei se falarei sobre música, ainda estou decidindo. Se eu falar, vocês vão perceber. hehehe. Isso se acompanharem. 🙂
Ok, vamos lá.